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2.Elementos essenciais do processo terapêutico: Singularidade do cliente

2.Elementos essenciais do processo
terapêutico: Singularidade do cliente

O atendimento clínico é paradoxalmente algo que podemos pensar e estudar mas cada cliente nosso nos revelará algo em que jamais tínhamos pensado. Esta é a clínica que respeita o paciente e que se desenha para não reduzi-lo a diagnósticos, classificações e categorias.

Se nos dispomos a pensar no ser humano vemos que desde suas impressões digitais até sua visão do mundo e de si mesmo, seu comportamento, sua interpretação do que acontece a si e aos demais – tudo isso nos indica uma singularidade. O que é isso?

Significa que partindo de uma condição comum a todos os demais seres humanos, cada pessoa vai criando respostas únicas a tudo que lhe acontece. Vamos encontrar um estilo próprio, um idioma pessoal a cada um, uma vocação particular, que precisamos contemplar no atendimento clínico.

Todos partimos de condições do ser humano que são comuns a todos nós e que nos abrem para sentir estados que todos nós vivemos de alguma forma. Por exemplo: a consciência de nossa finitude, nosso anseio por encontrar algo absoluto que nos pacifique, nossa agonia por um abismo sem fim, nosso anseio por ser livre e criar, nossa vulnerabilidade por nos sabermos frágeis e instáveis, nossa necessidade de estar perto de outros seres humanos que nos ajudem a sentir que temos um lugar e um acolhimento e, não menos importante, nossa vocação de compreender e encontrar um sentido para tudo que vivemos.*

Todas estas características de nossa condição humana impactam de forma diferente cada um de nós e nosso estilo de ser. Nosso idioma pessoal **consiste nas formas diferentes de responder, contemplar, experienciar esta nossa condição humana de ser.

O mistério de nossa singularidade em parte se revela pela circunstancia de nosso nascimento: fomos sonhados ou concebidos? Como fomos recebidos e criados, etc, Ou seja, em parte nossa historicidade forma nosso estilo, como disse no artigo anterior.

Mas parte de nossa singularidade é nossa, vem do nosso ser e não podemos remeter à nossa biografia. Podemos acolher, respeitar e destinar em uma vocação existencial**. Nossa biografia pode acolher e facilitar ou bloquear e dificultar a singularidade de nossa vocação existencial.

E, como clínicos, precisamos fazer isso, qualquer que seja o método terapêutico escolhido.

Esta singularidade se manifesta na forma como experienciamos nossa vida, interpretarmos o mundo e o que nos acontece e se expressa no nosso estilo em termos verbais (por exemplo as metáforas que usamos), em termos corporais-emocionais (como nos movemos e ocupamos o espaço), em termos do nosso ritmo e nossa energia, nossas escolhas e comportamentos, nossa forma de ancoragem no corpo, etc.

Mas se expressa também em termos de nossos sonhos, do que julgamos importante daqui para a frente, nossos horizontes, nossa missão de vida, nossa vocação em sentido lato e não profissional. Enfim, nossa singularidade nos permite dar um sentido para nossas vidas que nos faz sentir que a vida vale a pena ser vivida.

Cabe ao atendimento clínico devolver ao paciente a apropriação da sua singularidade às vezes diluída em muitas defesas e escapes, mas sempre de alguma forma sinalizada para si próprio e para o terapeuta atento.

Articular a queixa que o paciente traz com seu idioma pessoal e sua vocação é uma tarefa clínica importante que demanda sensibilidade do terapeuta e muita persistência e fé no encontro e na fertilidade do estar junto porque há um terceiro elemento que nos ajuda sempre que um encontro é verdadeiro e sincero.

 

 

ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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