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Atenção e armadilhas no atendimento clínico

Atenção e armadilhas no atendimento clínico

Para o terapeuta, iniciar  um processo terapêutico implica se manter em um nível de atenção extremo. E não só para ouvir o que o cliente lhe fala desde o primeiro contato. O cliente vai se comunicar com o terapeuta em muitos níveis.

Geralmente o nível da narrativa verbal é o que nos  chama mais atenção. Sim, o conteúdo que o cliente fala é importante, sua visão do problema que o traz para a terapia. 

Mas precisamos estar atentos:  sua comunicação é exageradamente racional e mental? Sua fala é sentida, emocionada? Seus olhos lacrimejam, sua voz treme? Sua respiração acompanha o tom do conteúdo? O que você, terapeuta, sente quando ele lhe fala? É precisa dar muita importância ao que você, enquanto terapeuta, sente a partir do conteúdo e do modo como o paciente se apresenta.

Há uma diferença importante entre representação e apresentação de si. A narrativa do paciente sobre algo do seu passado representa, simboliza este passado, significa e qualifica este passado.

Mas a forma como o cliente se apresenta na sessão e o impacto desta apresentação sobre o terapeuta nos dá outras informações sobre ele e seu passado. Este pode ser presentificado através de emoções e sentimentos que podem estar  reprimidos.  Por exemplo, o cliente pode se apresentar  com sintomas puramente físicos, enxaquecas, dores de estomago e falar de um passado como se fosse o narrador de uma história linear, sem se emocionar. Fala como se estivesse contando a história de uma outra pessoa. Esta é uma forma de apresentação de si que precisamos saber como lidar para chegar até as emoções ocultas.

Veja uma outra forma de apresentação: um paciente pode falar de sentimentos de vitimização por opressão e ser super espaçoso, ocupar todo tempo da consulta e espaço do consultório, como se só ele estivesse ali e fosse importante. *

Precisamos  atentar para essas contradições entre a linguagem verbal e a linguagem corporal do paciente que as formas de apresentação nos revelam. Ele emite mensagens através de todos os mínimos detalhes das suas expressões e comportamentos  na consulta.

Uma armadilha em que costumamos cair é o paciente colocar um dilema para nós, que ele não consegue resolver e como que esperar que nós o orientemos de alguma forma. E, muitas vezes, querendo agradar, nós vamos tentar dar um conselho, ou qualificar uma escolha para ele. Geralmente isso não dá muito certo, porque na verdade ele está nos dizendo que seu equilíbrio está no impasse, que há um benefício secundário em não conseguir escolher e permanecer na divisão. O que precisamos neste caso é antes encontrar qual o benefício da divisão, do impasse, da impossibilidade de escolher. Sempre tem um e desmontando este benefício secreto, ele deixando de existir, a possibilidade de escolher é recobrada. E o que é importante: a potência do paciente é preservada porque se o aconselhamos e escolhemos por ele somos criativos e potentes e jogamos o paciente na impotência. É preciso muito cuidado em todas as nossas posturas.**

Algo que para mim foi sempre difícil foi como encontrar o paciente: beijo ele? Abraço? Dou a mão? Tive analistas kleinianos que nunca me abraçaram e... como eu gostaria de ter sido abraçada! Aqui precisamos realmente ouvir nossos corações, nossa percepção e acompanhar o cliente. Há os que dão um beijinho formal, há os que abraçam para valer. Há os que querem um abraço e não sabem manifestar este desejo, mas se você se permitir sentir vai saber quem precisa do abraço, quem precisa de um beijo, quem precisa de um aperto de mão. Psicanalistas ortodoxos mantêm sempre a mesma postura para qualquer paciente, dando no máximo um frio aperto de mão. Mas um enquadre flexível permite que você acompanhe os sinais do que o paciente precisa.

Na parte de contato físico temos que ter o máximo cuidado para não invadir mas também para não reproduzir seus traumas, sendo frios como seus pais foram, por exemplo. Um contato mais frio que reproduz a dor de ter tido pais frios é quase sempre  avassalador para o cliente. E às vezes um abraço faz o papel de horas e horas de conversas. A sensibilidade do terapeuta é essencial. Não há conduta certa ou errada, há aquela que cura e a que adoece mais.

Winnicott nos fala que o que mais o preocupava eram os pacientes que lhe davam tédio na sessão e não os mais psicóticos. Verdade, porque os pacientes que nos dão tédio parecem ser os que não tem mais esperança e isso é bem terrível para nós terapeutas, cuja função principal é devolver esperança para nossos pacientes.

Há os que nos contradizem o tempo todo... “você não está entendendo”, gostam de nos dizer isso. Não fiquem irritados, a paciência é nossa mestra. Pode ser que eles estejam num nível mental apenas e vamos precisar achar o atalho que leva eles a sentir, abrir seu coração, sofrer e achar o caminho melhor para eles.

  • *Este exemplo foi dado por Gilberto Safra em várias de suas aulas.

** Esta orientação é muito clara nos artigos de Winnicott. ( Brincar e Realidade).

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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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