[ editar artigo]

Carência: dicas clínicas

Carência: dicas clínicas

 

Muitas pessoas chegam no consultório reclamando que se sentem carentes.

Importante deixar claro que tanto eu quanto o método EFT trabalhamos com o que as pessoas nos trazem, nos dizem que sentem. Não utilizamos conceitos que temos que definir abstratamente. Ou seja, vamos do familiar, do repertório das pessoas, das palavras que usam para o não familiar, ou seja, ajudamos elas a descobrirem novos recursos em si mesmas e as vezes nomeações novas para si desde que sentidas e experienciadas com todo seu ser.

Assim se uma pessoa chega e me diz "me sinto carente", a primeira coisa que vou perguntar é como é isso, porque se dá este atributo, como vive esta carência, em que momentos, como sente esta carência, o que faz quando está carente, como seria não ser carente, onde sente no corpo esta carência, já se sentiu não carente? Quando esta carência começou? Enfim, a concepção de carente, de carência me vai ser oferecida pelo paciente. Eu chego limpa de conceitos e de preconceitos, em puro acolhimento, esvaziando-me o quanto for possível de minhas demandas e julgamentos.

Vou dar um exemplo: Olga, uma paciente (nome fictício), cerca de 30 anos, afirma ter sempre um buraco no peito, um vazio e isso a faz se achar carente. Chega em casa do trabalho e o buraco chega junto, o peito aperta. Não se sente procurada o suficiente por amigos e amigas, não sente que a escutam, o namorado se afastou e já começou a namorar, sente que a mãe a hostiliza e critica muito, não é carinhosa, o pai a paparicava quando era menina mas agora é distante. Só quando bebe se sente um pouco mais divertida socialmente ou se bebe um vinho  sozinha relaxa e esquece o vazio do peito.

Importante o praticante de EFT saber que este retrato de si mesma é sua visão de si, não reflete fielmente nenhuma postura dos outros em relação a ela. Este é um retrato criado por ela. Só isso podemos saber:  de uma realidade da qual ela é a autora. Acaba trabalhando demais, dando presentes para as pessoas, oferecendo-se para ajudar, mas isso só parece aumentar este desamparo afetivo que sente. Pois sempre espera algo a mais que não vem.

É como se a nutrição que vem do mundo nunca fosse suficiente (já falei num vídeo sobre isso). Mas como trabalhar com EFT? O que descubro quando ela me responde as perguntas é um grande ressentimento mas eu não nomeio isso para ela porque com isso posso ofender suas defesas e ela não me falou essa palavra. Isso permanece para mim como uma hipótese com a qual vamos investigar sua biografia.

E nesta viagem ao passado procuramos eventos e vem eventos em que sua mãe levou seu irmão para viajar e não a levou, sob pretexto que ela precisava estudar. Se lembra de um dia que sua mãe a olhou raivosa porque seu pai a elogiou demais. Todas essas são narrativas dela, composições sobre o passado que ela me traz. Sua mãe não lhe deu um abraço na sua formatura no ensino médio. Se sente até agora entristecida e magoada por isso.

E há muitos eventos deste tipo, que antes de trabalharmos com Optimal EFT eu pergunto sobre como se sente ao me contar e como se lembra de ter sentido. Geralmente há concordância entre estas duas posições afetivas. Como ela fala em várias emoções que compõem o que eu sinto ser o ressentimento (raiva, tristeza, mágoa, desvalorização, injustiça), pergunto se podemos nomear todos estes sentimentos como ressentimento principalmente por não ter o suporte de sua mãe no passado. Vamos partir para trabalhar os “eventos” narrados, através do  Optimal EFT, em todos seus detalhes ou aspectos, porque nos pareceu que nestes “eventos” estão algumas raízes deste se sentir carente no presente. Notamos algum alívio.

Depois vamos até o nascimento onde detectamos que sua mãe devia estar bastante distraída dela pois seu pai se afastou demais de casa, segundo tias lhe contaram. Como não há lembranças desta época imaginamos cenas onde faltou suporte, a mãe envolvida em seus próprios pensamentos e dores, conforme ela supõe.

Estes fatos e eventos são reais? É importante saber que quando trabalhamos com memória não chegamos nunca aos eventos reais, chegamos a uma narrativa, uma composição (prof. Gilberto Safra usa esta expressão) do paciente que nos traz seu sofrimento, sua visão, sua percepção.

Vamos, através do diálogo, ressignificando essa carência de hoje, mostrando o quanto sua mãe e pai agiram como podiam dadas as circunstancias vividas. E ela vai se dando conta do quanto ela pode aprender com o negativo. Isto é,  se se sentiu ressentida, injustiçada, pouco apreciada, sem suporte, pode saber profundamente no seu interior o que uma criança precisa, um amigo precisa: esta doação atenta e generosa sem pedir nada em troca. Ou seja, pode aprender pelo que não teve. Porque tem a referência originária, isto é da condição humana desta necessidade que temos do outro quando nascemos mas também em toda nossa vida.

E assim ela pôde compreender também a perspectiva ontológica de que somos todos, desde o nascimento, em certa medida carentes, desamparados. Chegamos ao mundo dependentes e precisando do olhar e do toque do outro para nos dar lugar, afeto e sustentação. Mas chegamos também, de certa forma, abertos para aprender o quanto podemos amar e cuidar do outro. Muitas são as crianças que cuidam para que os pais sofram menos.

Essas ampliações da compreensão da paciente sobre o se sentir carente permitiu que possamos fazer o Optimal dentro de um novo enquadre que amplificou as possibilidades curadoras  do Terapeuta Interior. Ele passou a  regenerar o campo afetivo emocional de Olga para que ela possa deixar de olhar só para si mesma e suas dores e baixe a demanda de se sentir credora de tantas atenções e de tantas pessoas. E, muito importante: é  dentro de uma relação terapeuta-paciente amorosa e amiga mas também respeitosa que esta transformação ocorre. Onde o terapeuta procura retrair seu ego e as arrogâncias que lhe são inerentes para que, esvaziado de sua subjetividade, possa acolher, compreender,  empatizar e se manter em comunidade de destino com seu paciente. 

O Terapeuta Interior, num determinado momento do processo, nos indicou e sempre isso acontece, sua principal vocação existencial (termo também usado pelo professor Gilberto Safra), que é sua vocação como pessoa, como ser.  Surgiram indícios daquilo que vem hoje dando sentido a sua vida, que estrutura sua contribuição a comunidade humana. No caso de Olga, ficou claro que uma migração de um trabalho de escritório para um trabalho com crianças era um sonho que ganhou força e começa a se manifestar em planos e pequenas ações. Oferecer às crianças o que lhe faltou se torna uma forma de cuidar também da criança que foi um dia. Doar o que nos faltou pode ser extremamente curador para nossa ferida.

TODAS AS INFORMAÇÕES SOBRE OS CONTEÚDOS E PREÇO  COM GRANDE DESCONTO NO TREINAMENTO COMPLETO DO  EFT OFICIAL ESTÃO AQUI. 

 

ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
Sonia Novinsky Seguir

Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

Ler conteúdo completo
Indicados para você