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Chaves para um bom atendimento

Chaves para um bom atendimento

Esta é uma meta da qual não podemos fugir. Precisamos atender com eficiência. Em primeiro lugar precisamos definir o que é um atendimento que cumpra seus objetivos.

Paciente sofre de depressão e enxaqueca e chega com esta queixa: preciso querer viver, levantar da cama e diminuir minhas dores.  O alívio dos sintomas é a meta do terapeuta? Sim e não. Caímos numa armadilha se nos propomos onipotentemente a tarefa de eliminar os sintomas que o paciente traz.

Primeiro porque sabemos que pode haver um apego aos sintomas num nível menos visível. Perder os sintomas pode ser de fato uma perda e, nesse sentido, o paciente vai lutar mesmo que inconscientemente contra seu terapeuta. Ele pode precisar deste sintoma. Afinal, ele criou o sintoma porque precisou dele. A depressão (sempre sendo culpa e raiva de si mesmo) e a dor de cabeça podem ter sido a saída que encontrou para não fazer face a dores mais profundas que sozinho não pode encarar. O paciente precisa se dar conta disso com todo seu ser.

Em segundo lugar, com certeza esses sintomas psicossomáticos são indicadores de camadas mais profundas que possuem feridas das quais não dá para o cliente se conscientizar sozinho. Mas ele precisa desta consciência.

Em terceiro lugar o terapeuta precisa saber que ele não trata o adoecimento ou o sintoma (depressão e enxaqueca) mas sim a pessoa que o procura e que precisa de ajuda. Para que possa chegar a uma experiência profunda de si mesmo, reconhecer as defesas egóicas que usa e revisitar as feridas ônticas vividas. Porque o sofrimento que ali encontra permitirá que acesse sua faceta ontológica predominante e  sua vocação existencial.

Não importa se o processo é breve ou longo, também não importa se algum método irá ser usado para que o paciente inicie o tratamento confiando tanto no método como no terapeuta que o usa. Estes três reconhecimentos citados acima precisam ser contemplados. Trata-se de paciente e terapeuta viverem juntos este processo de consciência e de experiência dessas três necessidades.

É muito importante a postura do terapeuta para que isso seja possível: se ele estiver presente apenas com o pensamento e a técnica, nada acontecerá. Se ele estiver preocupado em acertar também nada ocorrerá. Ele precisa sentir a dor do cliente sem se perder de si mesmo, por exemplo vivenciar o processo de depressão e enxaqueca que este paciente singular vive, com seu estilo, suas metáforas, suas queixas, suas emoções.

Em nenhum momento o  terapeuta precisa analisar e interpretar.  Pois aí estaria olhando de fora o cliente e poderia ser tão prejudicial a ele como foi seu ambiente que o levou a estes sintomas.

É como se estivéssemos num lugar de tal afeto amoroso que, sentindo o que ele sente, podemos indicar uma possibilidade de dar um passo à frente, esperando que ele dê, mas um passinho pequeno que temos certeza que ele pode dar. É muito delicado este processo de oferecer o que o outro precisa pegar e oferecermos de um tal jeito que ele sinta que quem criou a possibilidade do passo foi ele.

Sim, ajudar é acima de tudo manter a potencia do nosso cliente. A criatividade é prioritariamente dele e não nossa.

Como um bebê que sente que cria o seio que está lá oferecido pela mãe mas com tal sutileza que o bebê se sente potente e criador*. Assim, sementes de esperança se instalam no nosso cliente. O maior assassino de esperança acontece quando nos jogam na impotência ou por nossa luta ser inglória ou porque fazem tudo por nós.

Nosso cliente nos mostrará quando a tarefa terapêutica foi concluída, pois estará com novos horizontes abertos, sua potencia restaurada, seu sofrimento sob controle, seu mundo interior em paz, suas relações mais harmônicas para si, sua esperança restaurada. E acima de tudo uma mudança na forma como se abre para o outro. E menos necessidade dos sintomas.

Nosso trabalho de atendimento clínico foi trazer a possibilidade de horizontes que lhe fazem sentido e, nesse sentido, trazermos a ele uma síntese. Sem ter que recorrer intensamente a analises do passado, a interpretações de sua vida que desvitalizam o paciente, empoderando o terapeuta. E criando sempre mais dependência do cliente em relação àquele.

O que acontece no processo acontece porque se mobilizou um afeto amoroso que foi criando mais do que cada um poderia criar sozinho. E para mim esta é a vocação espiritual do encontro terapêutico. Uma sabedoria que transcende a sabedoria do par, que vem e revela o que só esses dois juntos poderiam produzir.  Para que isso ocorra, o trabalho pessoal do terapeuta é essencial. Ele precisa se preparar mais de tudo como pessoa. É o preparo da disponibilidade, de poder ocupar o lugar em que o amor se estende sobre o processo. E uma amizade verdadeira acontece.

*Winnicott, D. In Natureza Humana, ed Imago. Ou em Safra, Gilberto: Revisitando Piggle. Ed Sobornost.

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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
Sonia Novinsky Seguir

Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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