[ editar artigo]

Ciúmes e necessidade de controle

Ciúmes e necessidade de controle

Uma paciente me procurou por problemas com o namorado. Ela se queixava de sentir muito ciúme da ex-namorada dele. Eles já tinham terminado há uns 2 anos, mas o namorado ainda mantinha conversa com ela semanalmente, dizia que eles eram amigos e que ela não deveria se importar.

Ela não suportava essa amizade entre eles, mas cedia, tinha medo de pôr limites. Ela até tentava se impor, mas não conseguia. E me dizia que tinha medo de ser chata.

Ela sentia como que deixada de lado por ele, como se não tivesse lugar na relação. Era como se estivesse sobrando e não se sentia à vontade. Tinha medo de ele, no fundo, ainda gostar da ex-namorada, porque ele disse que terminou amando-a como amiga. Ela desabafou “parece que a ex-namorada nunca vai perder o lugar na vida dele”.

Quando ela tentava manifestar a sua contrariedade, ele imediatamente a reprimia. E ela se encolhia. E assim ela ficava num conflito interno entre ‘não aguento aceitar isso’ versus ‘devo compreender e verdadeiramente aceitar’. 

E quando eu sugeria um caminho intermediário, ela se culpava dizendo que ela é que é chata e justificava o comportamento dele.

Ela acabava encontrando desculpas para não enfrentar o namorado. Então fui investigar o que estava por trás dessas desculpas. Ela, pelo histórico, sente que tem um baixo valor. E tem inveja dele por ser extrovertido e esse é o sonho dela, reclama muito por ser mais introvertida. O que notei nas últimas sessões é que ela fica querendo controlar o namorado, segue todos seus passos, repara nos mínimos detalhes, percebe só pela entonação da voz que está conversando com a ex-namorada. Quando mostrei isso pra ela, ela me disse que está parecendo a mãe dele (a sogra dela). Porque essa sogra é extremamente carente e idolatra o filho num nível, faz tudo por ele, falta se rastejar. E ele não suporta.

A vida da minha paciente atualmente é o namorado, ela não tem outro assunto. Eles trabalham juntos, ela mudou de cidade por causa dele, está num setor que não gosta pra ficar na mesma cidade que ele, todos cursos, aulas, exercícios fazem juntos, não criou vínculos além dele.   

Essa necessidade de controlar o namorado, de querer tê-lo só pra si é fruto de uma carência dela? Por que é tão difícil pra ela criar uma vida além dele? Eu tenho a impressão de que ela não consegue porque tem medo de deixá-lo livre e não estar por perto rondando, vigiando, controlando... 

Sonia Novinsky respondendo

Ótima questão Raissa, uma das defesas mais poderosas que temos é o controle ou uma tentativa de assegurar que a fonte que nos nutre (ou que nos iludimos que é única e nos nutre mesmo) não falhe para não cairmos no abismo impensável. Vou responder assim que chegar em Sea Ranch, na California, pois estou viajando amanhã para minha reciclagem regular com Gary Craig. 

Como sempre, em todos os casos clínicos, a gente tende a pensar no sintoma e esquece que o segredo está na pessoa. O sintoma é sempre (nas palavras do Gilberto Safra), uma forma poética da pessoa expressar seu idioma pessoal. Eu concordo super com isso. A consequência de pensar assim é irmos procurar na biografia da pessoa como compreender este sintoma. Sem dúvida ela está estancada. E o ser humano é fluxo, lembram? Ser humano é constante devir. Ela estancou, como você bem sentiu, num padrão de controle obsessivo pelo namorado. E fará isso se não se cuidar, até ele se cansar e deixa-la, porque está sufocando.

Ouve a história dela, desde a concepção. Como foi em família, como foi na escola, como foi em casa, com amiguinhos, onde houve rupturas ou faltas que ela não tinha recursos para dar conta? Você deve ter ouvido a história dela... onde você encontra abandonos, negligencias, desamparos, insegurança de ser gostada, onde há faltas que levaram ela para agonia do medo? Houve isso? Ou onde  houve controles sobre ela, desconfiança da sua potencia, da sua competência, da sua habilidade para grandes ou pequenas coisas, deixando a mensagem subliminar que sozinha ela não conseguiria algo? Alguns chamam de super proteção ou mimo estes cuidados que passam a mensagem para a criança de que que não confiam que ela possa se virar, se cuidar, se proteger.

Você vê que encontro o controle obsessivo às vezes em experiencias biográficas opostas e, por algum motivo que tem a ver com o ser da pessoa,  o paciente pode gerar estes comportamentos de controlar a fonte externa de nutrição de seu ser e sua alma. A fonte externa, no caso, é o namorado. O vazio interno é vivido como implacável, incontornável se não for com a presença externa escolhida. E aí a dependência quase absoluta gera este inferno para os dois, o controlado e o controlador. 

Eu dou idéias de origem deste comportamento, mas de verdade nenhuma idéia vai substituir a investigação da singularidade que vc está cuidando, ok? Lembre-se disso, a clínica é a sabedoria do singular e desta forma todas as generalizações são suspeitas. 

Mas é bom ter algumas idéias para ir dialogando com o que nos narra a pessoa e muitas vezes nos surpreendemos pois encontramos uma origem bastante surpreendente.  Há componentes  no ciúme que precisam ser compreendidos mas fica para outra vez. Ele expressa nossa angústia pela  finitude. No controle há um componente amoroso de cuidado também, mas tudo isso precisa poder ser modulado para não se tornar um sintoma.

TODAS AS INFORMAÇÕES SOBRE OS CONTEÚDOS E PREÇOS DOS NOSSOS CURSOS ESTÃO AQUI
E APROVEITE PARA SE INSCREVER AGORA, COM OS GRANDES DESCONTOS DA PROMOÇÃO DE VERÃO 2019 ! 
 

ACADEMIA CLINICA
Raissa Schiavo
Raissa Schiavo Seguir

Terapeuta EFT e Optimal. Atendimento online e presencial. Contato: 34 98401-7739

Ler matéria completa
Indicados para você