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Como manejar as defesas do cliente?

Como manejar as defesas do cliente?

Sonia, boa tarde. Ao terminar meus estudos do Percurso Clínico fiquei com algumas indagações, mas a que mais mais me intrigou foi no que concerne à utilização de defesas pelo cliente. Em meu trabalho, intuitivamente, confesso, busco trazer luz para as defesas e caminho no sentido de dirimir os "motivos" que levam o cliente a utilizá-las. Poderia falar um pouco sobre esse assunto e essa minha abordagem? Além disso, poderia também discorrer um pouco  sobre os casos em que o caminho com o cliente seria o de reforçar as defesas? Gratidão.

RESPOSTA SONIA NOVINSKY: Obrigada pela pergunta, Taís. O que são as nossas defesas? A meu ver são as respostas que aprendemos e forjamos para lidar com nossa condição humana de extrema fragilidade, precariedade, dependência do outro, vulnerabilidade, desamparo, liberdade, criatividade, entre outras. Quase nunca somos acolhidos de modo a crescermos com "defesas flexíveis", isto é, facilmente superáveis pela realidade que se nos apresenta ameaçadora e temível a cada etapa da vida. As tarefas que nos são demandadas pelo percurso humano na vida são geralmente assustadoras, como nos preparar para morte, para doenças, para perdas, para abandonos, para a solidão. E então nossas defesas tendem a ser bastante encorpadas: rigidez, depressão, dores crônicas, compulsões, agressividade, onipotência, arrogância, etc. são algumas das posturas, entre muitas, que formam nossas defesas difíceis de mexer. Tenho um paciente que sempre ameaça abandonar o tratamento porque desconfia demais de mim. Eu sei da sua condição precária , ele sempre atrasa meia hora e eu cometi o erro de pedir, na semana passada, para ele cuidar de chegar na hora porque teria uma paciente logo depois e não podia dar tempo a mais como vinha fazendo. Foi um cuidado que tive porque realmente naquela sessão eu teria que respeitar o horário combinado. Ele ficou furioso e disse que não viria mais. Ou seja, interpretou meu cuidado como uma ameaça, porque desconfia demais de tudo e todos. É um caso grave, eu sei, mas é para ver como as defesas do paciente nos colocam dilemas muito difíceis e temos que estar muito atentas. Eu deveria ter me omitido e no final do seu horário apenas terminar e deixa-lo lidar com os meus limites. Teria sido mais produtivo, mas não fiz assim, devido às minhas próprias defesas. Estamos sempre aprendendo com nossos erros. 

A busca da origem das defesas  vai lhe levar às fraturas ônticas e ontológicas que aconteceram na vida deste paciente. No caso do meu paciente houve abandono e desamparo a um ponto que não pôde se constituir um self, um si mesmo. As defesas cronificadas geram um estado fragmentado em que um plano de vida e de ação no mundo fica comprometido. Nestes casos temos que, mais que tudo, acolher e estar junto por longos anos, se o paciente nos permite. E enfrentar as defesas, como eu fiz, gera a perda do paciente, porque não tolera ser posto em cheque. Para ele meu cuidado foi uma acusação e uma ameaça, compreende?

O que me parece mais prudente é não mexer nas defesas constituídas, elas estão ali por alguma razão importante. Voluntariamente procuro não mexer. Não enfrentar, não contestar, não apontar. Procuro me endereçar à necessidade ontológica que não foi atendida na sua história (dimensão ôntica) e realmente esse trabalho de estar para o paciente no que ele precisa vai tornar a defesa mais móvel, mais flexível. A ajuda do Terapeuta Interior me parece essencial neste percurso clínico. Testemunhar em comunidade de destino os traumas, as fraturas, ressignificar e, quando o si mesmo ainda não está constituído, auxiliar neste processo. Sempre estamos em processo de constituição do nosso ser, mas há pessoas que nos chegam com quase nenhuma constituição de si. Neste caso nossa presença, regular, constante, acolhedora é essencial no percurso clínico. Sempre é importante discriminar defesas que nos ajudam na vida das defesas que nos estancam. E para as pessoas com si mesmos fragmentados vamos ajudando a dar forças às suas defesas mais saudáveis e que as ajudam a começar a agir no mundo. Não sei se ajudei, mas é preciso olhar cada caso, daí a necessidade de supervisão. Porque nenhum curso dá conta da clínica, que é sempre clínica do único e do singular. 

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Tais Cardoso Arthur
Tais Cardoso Arthur Seguir

Conheço e pratico EFT desde o início de 2017 e venho, a cada dia mais acreditando, confiando e sentindo o quanto a limpeza da carga emocional nos traz paz e clareza pessoal

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