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Comparação e ansiedade: a busca do "mais" na clínica.

Comparação e ansiedade:  
a busca do

 

Há tempos não tenho escrito. A pandemia me convidou a um certo recolhimento e reflexão, sobre minha vida, minhas escolhas, minha prática clínica, meus cursos, minhas formas de comunicação e divulgação.

Hoje me assusta muito tudo que me parecia confortável há uns anos atrás: pessoas que vem para terapia em busca de mais. Mais amigos, mais curtidas, mais dígitos de faturamento, mais viagens, mais audiência, mais seguidores, mais carros, mais opções de parcerias femininas ou masculinas, mais aventuras, enfim, sempre em busca de mais e mais. Como se para se sentir vivo, feliz, realizado, querer mais quando se tem já algo ou não se tem ainda fizesse toda a diferença. Podemos dizer que são pessoas com ansiedades voltadas para o quantitativo. E muitas emoções negativas, além da ansiedade, estão alinhadas com esta busca: culpa, inferioridade, inveja, nervoso, insônia, raiva, auto rejeição, mágoa, etc. Quantas pessoas vi se separarem ou desprezarem o parceiro por ele ser “acomodado” no julgamento dessas pessoas, ou seja, não estar em busca de mais alguma coisa. Como se a busca quantitativa fosse sinal de vitalidade e mentalidade voltada para evoluir.

Antes eu até cheguei a comprar algumas brigas de pacientes que vinham em busca de algum “mais” e se julgando por se sentirem impedidos em relação a este critério quantitativo.

Hoje me parece antiético para um terapeuta aceitar a queixa do paciente por prosperidade, por mais dígitos de faturamento, por exemplo, ou por qualquer objetivo quantitativo que possa ter para um tratamento.

A pandemia me permitiu sondar internamente com mais afinco a solidão que nos afeta a todos, não só neste momento, mas como seres humanos. O estado de solidão como uma das nossas características ontológicas.

Solidão é termos essa noção e este sentimento de nossa fragilidade, da instabilidade e vulnerabilidade nossa e de tudo e todos que nos cercam, em cada momento que estamos vivos.

Em solidão nascemos e morremos, mas ela está à nossa espreita sempre.  Essa solidão gera em nós necessidades as quais ou acolhemos e tentamos lidar com elas ou delas nos tornamos reativos. E uma destas reações é a ansiedade pelo quantitativo, irmos em busca de mais e mais, alguns símbolos sociais, geralmente.

Frente à solidão, neste sentido, “ter  morada no coração de alguém” (expressão do prof Gilberto Safra) e ter alguém morando em nosso coração é uma forma de conviver com essa solidão originária que vivemos.

Muitas vezes em vez desta busca passamos a buscar quantificações, comparações, nos mais diversos âmbitos da vida, como forma de compensar e driblar a solidão e todos os estados e ansiedades ligadas a ela.

Conectar nós mesmos com este nosso estado frágil e ajudar nossos pacientes a fazer isso também me parece salutar e um recurso para lidar com as ansiedades defensivas pelas quantificações que citei acima. E esta entrada no qualitativo da nossa condição pode nos ajudar (e aos pacientes) a arriscar este querer desafiador que é ter um coração onde cabem pessoas frágeis e buscar um coração que acolha nossa fragilidade.

Desta forma vamos em direção a uma terapia que não se propõe a ajudar o paciente a conseguir mais, mas encontrar a verdade de sua condição e de suas necessidades e recursos.

A solitude, ou seja, o prazer de estar só por um tempo existe sim, mas quem sente essa paz na solitude tem o pressentimento, senão a certeza, de ter morada no coração de alguém.

Estar no coração de alguém e alguém no nosso nada tem a ver com apego ou posse. É a fundação da liberdade para quem aloja em si e para quem é alojado na outra pessoa. Isso talvez requeira outro artigo.

 

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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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