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Você se critica por ter crenças limitantes?

Você se critica por ter crenças limitantes?

 

Não faça isso! Temos crenças do tipo:  tenho a crença que jamais vou conseguir progredir na minha carreira ou tenho a crença que nenhum homem que eu valorizo vai me querer, etc. e se formos ler na internet algum artigo de auto ajuda vamos concluir: tenho crenças limitantes, e agora?

Eu queria  comentar  que nossas crenças são, na verdade, sinais que nos mostram por onde devemos caminhar. São mais portas que esperam ser abertas que paredes que nos limitam. Porque nossas crenças são defesas que, dando sentido às nossas emoções negativas, nos protegem de nossas dores e  desta forma são como pedrinhas que mostram qual o caminho a ser percorrido para que, sem a ferida, a crença se auto destrua. Sim, as crenças perdem sua razão de ser. Por exemplo, uma pessoa que tem a crença que por mais que se esforce não terá direito ou capacidade para chegar nas suas metas.  Acredita não merecer ou acredita que seu pouco valor a impedirá. Se caminharmos em direção à infância desta pessoa vamos localizar  uma ferida grave. Apenas como exemplo, pode ter tido um pai alcoólatra com fim trágico e a pessoa se culpar de não ter conseguido salvar seu pai. Outro exemplo: a pessoa pode ter sido alvo de um sério bullying em casa ou na escola,  recebendo ridicularizações, críticas raivosas, palavras de desprezo e a dor de toda esta humilhação, num momento da vida onde o suporte é chave para a confiança em si, pode gerar esta crença de impotência  como uma forma de se proteger de um sofrimento ao tentar se expressar, se colocar no mundo.

Não acho que devemos reforçar a auto crítica das pessoas que dizem ter crenças limitantes como não devemos dizer isso de nós mesmos.

Devemos sim observar  nossas crenças e as dos nossos pacientes para ver onde estão nossas feridas e, se possível, com  uma abordagem terapêutica como o EFT Oficial (Tapping ou Optimal), por exemplo, ajudar a cicatrizá-las para que nossas crenças não tenham mais razão de ser.

Vou detalhar um pouco mais este problema na situação terapêutica. Não gosto e não uso as denominações ‘crenças negativas’, ‘crenças limitantes’. Porque na hora que o cliente chega e diz, tenho crenças limitantes e eu concordo, ou mesmo se eu disser para o paciente  você tem crenças negativas e limitantes, já estaria reforçando o bloqueio  dentro dele. 

As crenças que uma pessoa tem são, como eu disse, as crenças que ela precisou ter para sobreviver aos seus traumas e fazem parte de seu arsenal de defesas. Não se cuida de uma pessoa derrubando as defesas ou  as julgando como negativas ou limitantes. Pois isso seria  ignorar algo muito importante:  que o cliente faz o melhor possível para sobreviver com os recursos que tem até então.

Quando um paciente me traz uma crença qualquer, um pensamento qualquer, como "eu acho que não tenho saída", "eu acho que nunca vou encontrar alguém", "me sinto inferior aos outros", “sou muito dependente", "as pessoas não se sentem atraídas por mim", "tudo que eu faço não dá certo", etc., eu nunca vou contestar esta crença ou dizer ou afirmar que ela é negativa ou limitante. Nas consultas fico muito atenta às crenças que aparecem e sempre mostro como elas são o complemento de emoções/sensações vividas na corporeidade. As crenças são generalizações operacionais que estão na dimensão do conceito, do pensamento. E sempre, sempre estão intimamente relacionadas com emoções e sensações. O que veio antes... é como se perguntar se foi o ovo ou a galinha. Não importa: no ser humano, depois de uma certa idade, onde há emoções e sensações há crenças e vice versa. Eu anoto geralmente as crenças num papel e guardo porque são preciosas portas para a liberação do paciente. Quando ele me conta de suas crenças ele está me dando as pistas de sua ontologia, ou seja, de sua visão de mundo, de si mesmo, está me dando as pistas da estrada que leva aos eventos traumáticos que precisaram destas crenças para que a pessoa possa continuar vivendo e compreendendo o que vem acontecendo na sua vida. 

Quando um paciente pode compreender experiencialmente  e de outro ângulo sua ferida maior e como foi quebrada sua confiança em si (a força interior que nos põe em fluxo e nos faz ter fé na  na potência do nosso gesto)   geralmente há uma transformação interior. Crenças e emoções são ressignificadas. Neste momento podemos dizer que o  Terapeuta Interior (ou a Consciência, ou a Sabedoria Interior) vai naturalmente reconecta-lo ao seu fluxo de vida. E quando se ressignificam memórias doloridas, as crenças e as emoções a elas ligadas deixam de fazer sentido e se dissolvem.

 O que eu faço então quando o paciente me coloca uma crença que lhe dói  é buscar em que circunstâncias esta crença e este pensamento foi criado na sua vida de forma a fazer sentido, a ajudá-lo a sobreviver, a protegê-lo do sem sentido, do incompreensível. Porque para a pessoa humana, desde muito cedo, o pior de tudo é o não ter sentido, é o caos, o terror, a loucura. Uma criança desprezada, negligenciada, precisa encontrar um sentido para este comportamento dos pais e o encontra se auto desprezando, se julgando sem valor, não merecedora.

O ser humano é sempre um hermeneuta em busca da compreensão, do sentido (a finalidade), do significado (o porquê). E assim se formam as crenças, por mais difíceis, duras, autodestrutivas, que sejam. O caminho é limpar o trauma, trabalhar a criança neste paciente que não teve noção da violência ética (conceito de Gilberto Safra) que sofreu e das suas sequelas até hoje. E esta violência ética implica todo um ambiente que inclui fatores econômicos, sociais, culturais, familiares, transgeracionais. Não se trata de  culpabilizar os pais ou a família, mas de ampliar a compreensão das fraturas éticas, dando lugar para o perdão e a compaixão também.

Desta forma as memórias terão novas significações e novas possibilidades se abrem para a pessoa. Ela vai poder se olhar a partir de outras perspectivas e desenhar sonhos antes impossíveis. Vamos pela porta dos fundos e a fachada se transforma, porque se formos quebrar a fachada (as crenças) direto com afirmações ou argumentos racionais corremos o risco de um agravamento do paciente pois estas formas de conduzir não resolvendo seu problema acabarão reforçando a conclusão de que o problema está nele, na sua incapacidade, no seu pouco valor.

BOA NOTÍCIAESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O TREINAMENTO COMPLETO NO EFT OFICIAL. VEJA EM NOSSO SITE 

 

ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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