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Dificuldade em vender

Dificuldade em vender

Fiz um tratamento curto porém interessante com um homem de 60 anos. Foram apenas 4 sessões. Ele me procurou porque queria “se libertar da timidez e da ansiedade, queria falar bem em público e queria agir naturalmente diante dos clientes”.

Ele era vendedor e se queixava por ter dificuldade em bater as metas da empresa.  

Foi interessante porque inicialmente ele se mostrou bem cético, mas ao longo da sessão senti que ele confiou em mim e por fim estava bem aberto. Fiquei um pouco receosa em fazer o tapping, mas criei coragem e ele foi me seguindo. Fizemos a primeira sessão abordando os sintomas da ansiedade. No final ele se sentiu muito bem e aliviado. Voltou na sessão seguinte dizendo que conseguiu falar mais em um trabalho dinâmico da empresa, que falou sem sentir medo.

Ele cresceu numa fazenda com sua família e viveu lá até os seus 11 anos, sempre foi muito solitário, seus pais nunca tinham tempo pra os filhos porque tinham que trabalhar muito e eram bem durões.

Durante as sessões, eu sentia que ele ficava muito bem por poder ter alguém que compreendia as suas dores, que não olhasse pra isso como “frescura”. No entanto, não conseguíamos passar daí, quando eu perguntava da infância e do passado dele, ele não conseguia se lembrar e achava que não ia dar conta de fazer um bom tratamento por causa disso. E eu tentava tranquiliza-lo dizendo que as memórias surgiriam. Mas ele não acreditava.

Até que na última sessão, quando estávamos conversando sobre a dificuldade em vender, durante o tapping, veio a ele a imagem de um homem que foi até à fazenda do pai mostrar produtos para o gado e acabou vendendo gato por lebre. Ele não se lembrava disso, mas para o pai e o avô, vendedor era sinônimo de ludibriador, que passava as pessoas pra trás. Então fui ressignificando esse preconceito, mostrando pra ele como existem bons e maus profissionais em qualquer área, e que na realidade todo profissional tem que saber vender o seu negócio, ainda que seja o seu serviço, pois somos todos, no fundo, vendedores, mesmo que não pareça.

E ele conseguiu a partir daí se libertar dessa crença (que não era sua, mas do pai) e me relatou que estava bem mais à vontade nas vendas.  

Comentário Sonia Novinsky: Raissa, gostei bastante do caso apresentado. A crença era sua também, pois a internalizou profundamente. Aparentemente ele desvaloriza mesmo e se envergonha de ser vendedor, e esta sua dor, por onde você pode começar um trabalho mais profundo com ele. Sempre a dor é o farol que nos faz caminhar na direção do nosso futuro necessário. É muito interessante como mesmo os céticos tem resultado com EFT. Interessante também como o EFT vai permitindo que ele foi em poucas sessões  fosse se abrindo para seu mundo interior, onde apareceu a lembrança da cena temida em termos da profissão de vendedor. Há muitos aspectos que se ele voltar a terapia vai pode evoluir mais. Seu desamparo ôntico/ontológico ainda não foi tocado. Ele deve ter tido grande descontinuidade entre o mundo rural e o mundo urbano e isso fez crescer nele a solidão, a sensação de desamparo, de falta de suporte, de exílio, de desenraizamento. De ter que se jogar numa profissão plena de crenças negativas a respeito dela Incrível como ele se lembrou de uma memória que tem tudo a ver com o bloqueio em vender, que acaba estancando seu devir. Parabéns! 

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ACADEMIA CLINICA
Raissa Schiavo
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Terapeuta EFT e Optimal. Atendimento online e presencial. Contato: 34 98401-7739

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