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É normal filhos adultos não sairem da casa dos pais?

É normal filhos adultos não sairem da casa dos 
pais?

Conheço um homem que aos 40 e poucos anos se divorciou e se mudou para a casa da mãe dele. A mãe o paparica porque não quer que ele se mude da casa dela e às vezes me parece que é como se ele fosse, pra ela, o seu falecido esposo, porque parece ter ciúmes das mulheres com que ele se relaciona. Foi a minha impressão, não sei se é isso. Esse caso me fez refletir e queria entender melhor. Por que hoje em dia é tão comum a infantilização dos filhos pelos pais e a falta de vontade dos filhos também de crescer e  ir pra vida? Parece ser um fenômeno recente, que não era tão normal antigamente.  Há muitas pessoas que não saem de casa mesmo sendo financeiramente independentes ou quando querem, os pais as desestimulam. E como lidar em casos de pacientes que os pais precisam morar com eles por questões de cuidado  ou por questões financeiras? 

Resposta Sonia: Raissa, esse apego entre pais e filhos, que os tornam mutuamente dependentes não é algo apenas atual. Na história das famílias sempre há um filho que não consegue se desvencilhar dos conflitos familiares e acaba ficando refém dos pais. E depois os pais se tornam dependentes e aí é mais difícil ainda se desembaraçar para ter uma vida própria.  Há muitos motivadores de lado a lado para essa permanência excessiva em casa dos pais.  Em última instancia me parece responsabilidade mais dos pais do que dos filhos, porque é missão dos pais criar nos filhos o desejo de ter um projeto de vida próprio e liberá-los com confiança para os filhos irem para o mundo.

Mas há pais que, por suas biografias, suas carências, seus medos, sua falta de independência e muitas vezes até de projeto próprio, inconscientemente vão solapando a confiança em si, a segurança e a garra dos filhos, que se tornam apegados aos pais. Muitas vezes um dos pais possui esse imã que impede os filhos de descolarem e se aventurarem no mundo. Eu tenho mesmo um cliente que já com seus  30 anos vive em casa, não consegue ter uma relação amorosa estável e satisfatória, não consegue ganhar para sair de casa, não consegue se ver fora de casa ainda, não conseguiu nem mesmo tirar a carteira de motorista. Seguramente agora um filho também tem seus bloqueios, mas  a responsabilidade maior é de quem  o criou desde o nascimento. O seu irmão casou e saiu. Com a terapia estamos criando agora o projeto de sair de casa, ganhar seu sustento, tirar a carteira de motorista, sair com amigos, até mesmo tentar sair do país. Agora ele começa a perceber que atrás das comunicações dos pais que o criticavam por ser diferente dos outros e estão com um medo enorme de que ele realmente se decida a sair. E esse medo se vê no constante sabotar a auto confiança do filho. Criticas, ironias, estigmas, são muitas as formas com que seguram o filho ao mesmo tempo reclamando que ele é diferente dos filhos de seus amigos e parentes. 

Desde que a família nuclear adquiriu essa relevância que tem hoje há sempre um filho ou quase sempre que fica pra trás, que se apega, que acabará cuidando mais dos pais na sua velhice e que perde como que o bonde de ter um projeto pessoal profissional e afetivo que lhe permita ser independente, construir sua família etc. E tem muitos que saem por um tempo para depois voltar numa evidente regressão, porque nunca na verdade tiveram força para um projeto pessoal. Relembro: para mim, são os pais que precisam e devem se trabalhar para permitir um filho com vida própria.

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ACADEMIA CLINICA
Raissa Schiavo
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Terapeuta EFT e Optimal. Atendimento online e presencial. Contato: 34 98401-7739

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