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Édipo entre pai e filha e os casamentos

Édipo entre pai e filha e os casamentos

SONIA: comentários intercalados no texto da Raissa.

Uma paciente, Suzana, se separou do marido, José, e eles tem um filho neném. Suzana sente muita raiva de uma filha de José (de um casamento anterior) porque sente muito ciúmes. Nas últimas sessões ela só tem falado dela. A filha é perfeita e maravilhosa, na visão do pai. José banca a filha, que é adulta, e depois que eles se separaram, José foi morar na casa dela e do seu marido. Ele dá tudo que ela quer (e também para o irmão do mesmo casamento), mas não dá para esse neném ou quando dá, é com dificuldade.

SONIA: Me parece que sua paciente Suzana se colocou de forma muito infantil no casamento e quando isso acontece no adulto se pode dizer que construiu uma defesa de controle, posse, inveja, voracidade. Lembre-se que você só tem a versão da paciente, nada sabe objetivamente sobre o ex marido ou sobre a relação dele com a filha, ou sobre como ele se sentiu no casamento com Suzana. Você afirma, "ele dá tudo que ela quer mas não dá para esse neném"...  mas não esqueça, esta é a versão da Suzana. Cuidado para não transformar uma visão subjetiva numa afirmação objetiva OK?

Desde o casamento ela sente que ele sempre priorizou esses filhos em detrimento dela.  Fica querendo entender a razão de ele gostar tanto dessa filha. É um édipo né? 

Sonia: Bem colocado: "ela sente que ele sempre priorizou esses filhos". Nada sabemos do que ele sente. Só ouvimos ela.  Não sabemos se é um édipo ou não, não temos acesso a ele nem a sua filha. Cuidado com afirmações ou perguntas para as quais não poderemos ter respostas. Sabemos que ela tem muita raiva, que ela tem muito ciumes, que ela não queria ter terminado este casamento. É muito comum esta competição entre os filhos anteriores e a segunda esposa e dos filhos com esta. E este filho não tem nome? Por que chamam ele de neném? É homem? Estranho ele ser o neném. Parece que a esposa tem um vínculo pouco caloroso com esse bebê. E aqui acho que há um grande problema a ser trabalhado. Ela me parece pouco disponível para doar. Parece que busca um amor fora e não dentro de si, um amor entendido como cuidar.

 

E acho que ela fica querendo encontrar uma explicação pelo fim e fica culpando essa filha dele.

Sonia: Me parece que sim. Ela tende a culpabilizar o que está fora de si, me parece.

Como se não existisse essa filha, o caminho entre os dois estaria desimpedido. Difícil ver que ele não quer voltar pra ela, né?

Sonia: Difícil ela ver que o final do casamento tem a ver com a relação entre os dois, com a postura dos dois, com atitudes dela também.

E fico pensando se ela também não tem uma inveja da filha dele porque o pai da Suzana sempre foi distante e ela não foi desejada por ele. Queria ser como ela, certo? 

Sonia:  Sim, ela pode ter inveja de ele cuidar e valorizar a filha, mas nem sabemos se isso acontece de fato, é sempre a versão dela. Ela pode ter criado esta fantasia para culpabiliza-lo. Ela não se sentiu desejada e valorizada por seu pai e isso pode ter criado nela um desamparo, principalmente se a relação com a mãe também foi de falta de ternura. E pode ter cronificado uma carência, que gera esta necessidade de posse controle, demandas excessivas, ternura escassa.

Estamos cuidando da raiva e ela amou o EFT mas a questão dela de nunca ter se sentido amada me preocupa.

 Sonia: Muitos de nós não nos sentimos amados mas aprendemos pelo negativo (Gilberto Safra fala disso), ou seja, temos uma referência interna ontológica de amor, de cuidar, e mesmo que não tenhamos nos sentido cuidados na nossa biografia, sabemos como cuidar, amar, ser ternos. Não parece ser este o caso. E esta é questão mais importante dela: porque reproduz a crueldade que sentiu? 

Os casamentos não deram certo e ela sempre diz que parece que não nasceu pra namorar/casar. Ela não é carinhosa, desenvolveu o lado masculino.

Sonia: Pode ser que não se sentindo valorizada pelo pai, não se sentindo encantadora porque o pai não a olhava como encantadora, ela foi pela dor abandonando os elementos femininos de esperar, acolher, aceitar. E desenvolveu o que o pai talvez valorizasse porque queria que ela fosse um menino, será? Ou seja, o lado do fazer, do executar, operacionalizar. Precisa compreender melhor isso e sobretudo faltam dados sobre a relação com a mãe.

Ela tem muita admiração pelo pai mas não se sente amada por ele. Aos poucos estamos cuidando dessa relação com o pai, mas é bem dolorida.

Sonia: Talvez pela eficiência ela esteja tentando encantar o pai que não a percebeu como mulher, como figura feminina. Então se identifica com o pai, na eficiência e no fazer.  A maternidade fica prejudicada, porque é sobretudo ternura e acolhimento nos primeiros meses do bebê.

Se for trabalhar com EFT procure eventos, não se esqueça. Trabalhe no concreto e específico e use o Optimal.  Fale mais sobre a relação com a mãe, que é central nestes casos.

Resposta: A mãe dela cuidou dela mas sempre priorizou o marido em detrimento dos filhos.  Ela diz que a vida da mãe sempre foi servir ao pai dela, sempre foi muito apaixonada por ele. Suzana sofreu um abandono quando teve que morar com os avós em outra cidade (teve que ir pra estudar, não tinha escola onde eles moravam, quando ela tinha uns 5 anos), a mãe ficou com o pai que tinha que trabalhar e ia vê-la uma vez por mês. O pai se encontrava com a Suzana somente duas vezes no ano. Foi uma educação rígida, com pouca liberdade. Quando fez uns 7 anos voltou a morar com os pais, quando mudaram de cidade porque o irmão mais novo também tinha que estudar e aí todos voltaram a viver juntos.

SONIA: tragica infância. Muito abandono e desamparo. Ficou sem recursos para  acessar a possibilidade de uma ternura ontológica.  Precisa cuidar para não transmitir para as outras gerações o vazio afetivo que sente em si.  Precisa se sentir amparada por você e confiar muito. Precisa poder usar você como testemunho e falar de sua história mas sentindo o que viveu. Não uma narração objetiva e distante. 
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ACADEMIA CLINICA
Raissa Schiavo
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Terapeuta EFT e Optimal. Atendimento online e presencial. Contato: 34 98401-7739

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