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Exigir reciprocidade faz parte do amor?

Exigir reciprocidade faz parte do amor?

Eu vi essa imagem e pensei como é comum nos casais que um dos parceiros saia do seu lugar e tente ser tudo para o outro. Tenho uma paciente que faz tudo pra agradar o namorado e a família dele. Mudou de cidade, restringiu a vida profissional, abdica das próprias vontades, não seguiu sua intuição uma vez pra atender as exigências do sogro e do namorado e acabou tendo um acidente, etc.  

E diante de tanta doação, espera reciprocidade, mas isso é tudo que ela não tem. E eu queria entender isso melhor. Por que é que isso acontece? É porque ele sabe que ela sempre vai estar ali disponível, então ele não valoriza? 

Ela começa a sentir muito ciúmes e a cobrar presença e amor se o namorado quer sair com um amigo, conversar a sós com ele... Ela fica querendo que ele dê a mesma importância a ela, mas nunca acontece. Ela sempre sente que ele dá mais valor à família e amigos que a ela. 

Sonia Novinsky, responde: vou dar minha visão sobre esta questão muito comum nos relacionamentos. Mas outros depoimentos são bem vindos nos comentários.

O desenho ilustrativo é ótimo, Raissa!  Você escreveu a palavra doação. Mas será mesmo que ela se sacrifica pelo outro, se doa para o outro? Qual o sentido de tanta "oferta"? Ponho entre aspas porque aquilo onde se exige reciprocidade não é oferta. Só parece ser oferta. Oferta é o que se oferece sem apego e exigências de atitudes e sem controle. A sua paciente, pelo que você conta, é cativa daquilo que podemos chamar de "fonte única de nutrição" . Ou seja, ela tem uma crença consciente ou não, de que tudo que ela precisa vem do namorado, o ar que respira, a segurança, a sensação de estar protegida e de pertencimento, a auto estima, a esperança, o futuro, o suporte, etc. Quando se tem essa dependência de uma fonte única, se vive sempre agradando e sempre cobrando, porque o medo é permanente. A perda da fonte única significa o abismo impensável e inominável, ou seja agonia sem fim. Fugir deste estado é ultra necessário, então se doa, se agrada, se sacrifica para ter a ilusão que se está garantido. E lógico que não se está. O amor romântico é filho da liberdade que é também espontaneidade e para sobreviver precisa gerar constantemente liberdade e espontaneidade. E infelizmente existe esta contradição: se busca o amor romântico tentando matar sua essência que é a liberdade e espontaneidade, na medida em que se passa rapidamente da espontaneidade e da liberdade para as exigências "legítimas" de reciprocidade. A frase muito comum nos momentos críticos do amor romântico: "eu não faria isso para você",  culpabilizando o/a parceiro/a, é bem típica da perda do respeito pela liberdade e espontaneidade do outro.

O amor romântico  precisa ser oferta. Ou seja, não pode ser cobrado ao se exigir atitudes, comportamentos, palavras, porque se acha que "ofereceu" algo. Se vem exigência de reciprocidade a oferta desapareceu. E o que há é um sacrifício ou uma forma de agradar, que é falsa porque manipulatória, porque se visa algo em troca. 

É bastante difícil para nós, seres humanos carentes ontologicamente que somos, aceitar que o outro não nos deve, aceitar que precisamos do outro sim, mas precisamos multiplicar nossas fontes de nutrição e desvincular poder de amor. Enquanto estamos agradando para conseguir reciprocidade, estamos perdendo nossa liberdade para tentar a posse e o controle do outro para satisfazer nossas necessidades. Esquecemos a nossa fonte interna de amor e passamos a tentar gerenciar a fonte externa de amor através de nossos parceiros/as amorosos. E o poder é para mim a negação do amor. Cuidar das nossas vulnerabilidades e carências para não fazer delas um disparador de nossas exigências é para mim um dever de todos nós.

Teoricamente respondi. Agora é preciso ir para a biografia da paciente para ver onde faltou suporte que gera a confiança de que nossa fonte interna pode ser um amparo sempre e pode ser a certeza que o amor nos será ofertado sem que precisemos utilizar mecanismos de poder.


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ACADEMIA CLINICA
Raissa Schiavo
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