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Paradoxos do atendimento clínico

Paradoxos do atendimento clínico

Uma estudante me escreve, frustrada, porque mediu a diabetes de um amigo e deu 409 e depois de fazer uma sessão de Optimal EFT a diabetes subiu para 429.

Egos ficam frustrados quando os resultados de uma sessão não são o esperado.

Queria aproveitar este exemplo para nos ajudar a por o pé no chão. Nenhum método é milagroso e dá resultados para engrandecer o ego de quem o aplica. Há muitos casos em que o terapeuta fala que em uma sessão pode por fim a uma fobia de aranha, em uma sessão o fim de um trauma.

É preciso ter muito cuidado para não usarmos o EFT como uma adição egóica, que aumenta nosso poder e prestígio e consequentemente diminui nossa dor e nossa insegurança. A busca do ego por ser um semi-deus é muito comum. A gente pode querer fazer o bem para o outro, sim, mas o sub produto mais importante é o aumento de nossa satisfação e empoderamento pessoal.

Esquecemos que no Optimal EFT, como em outros processos terapêuticos, se há uma melhora, primeiro é a melhora possível para o paciente e, segundo, não somos nós que realizamos esta melhora.

Numa metáfora, eu diria que damos a mão para a pessoa que queremos ajudar, para que ela pise na pedra que possa pisar para atravessar o rio, sem cair, ou para que se levante, se cair for inevitável. Somos apenas quem estende a mão para que, dentro da pessoa, sua sabedoria oriente a escolha da pedra e ela caia ou siga. Se cai podemos ainda dar a mão, mas não podemos controlar o rumo que terão seus passos.

O que vai acontecer a uma pessoa que usa um método como Tapping ou Optimal EFT ou outro método é sempre surpreendente para nós. O que vai acontecer quando nos encontramos com alguém para ajudá-lo depende de muitas coisas e quase todas fogem de nosso controle, tanto coisas que estão dentro de nós, na mente e no coração, quanto coisas que estão dentro da outra pessoa. E depende também de coisas que acontecem no encontro destas duas singularidades. Por exemplo, uma ajuda nossa depende da amorosidade que guia nossa mão, depende da nossa compreensão de como ela precisa que sua mão seja tocada e segurada, depende de quão serenos estamos no que nos sustenta, depende do que acontece dentro da outra pessoa, depende da nossa capacidade de seguir seu ritmo, de esperar seu momento, de acompanhar seu fluxo.

E há outro elemento importante no encontro terapêutico: não nos cabe saber como o processo de evolução do paciente vai ser, que rumos e atalhos precisa tomar para que uma cura que é ao mesmo tempo física, emocional, espiritual venha a ocorrer. Pode acontecer que o que parece às vezes uma piora seja um movimento necessário para uma conscientização importante que possa levar a uma melhora, que significa uma proximidade de uma paz interior. Não é fácil compreender e aceitar isso. Nossos egos gostam de tudo visível. Se faço um trabalho para prosperidade, quero dinheiro mês que vem, se faço um trabalho para dor quero que a dor passe já. Isso funciona dentro do campo do visível, do egoico, do psíquico.

Mas, na minha humilde visão, o campo humano é mais amplo e o processo de cura é sempre um processo e não uma cura absoluta. E este processo tem uma direção que para mim é clara: é um processo em que a paz interior se amplia para viver os sofrimentos necessários, as vicissitudes do corpo que são inevitáveis, para aceitar o trágico da vida que é nossa finitude e nosso contato ao mesmo tempo com a infinitude, o absoluto, a Verdade. A paz para aceitar que amor, perdão, liberdade são incondicionais no nível ontológico/humano. A paz para aceitar nossa impotência egóica e nossa arrogância egóica que erram sempre, o que é inevitável se somos corpo. A paz para aceitar que somos humanos com uma chama divina em nós, que nos transcende e que jamais conseguiremos alcançar.

Por isso tudo nossa única culpa é nossa arrogância egóica. O resto são erros que nos ajudam a dar um passo e que sejamos gratos a eles.

Desejo a todos que somos partes uns dos outros e da natureza, que possamos ter a humildade de reconhecer nossos limites e a surpreendente amplidão de nossa capacidade amorosa. Confiar, confiar, confiar que nossos erros não nos diminuem, que nossos acertos não nos glorificam. Que há mais do que nós podemos saber com a mente e as palavras na força da Vida no universo. Luz em nossos corações.

PS. Uma alegria que me ocorreu sobre este tema. Hoje li um artigo do Karnal, que admiro pela cultura e versatilidade, mas sempre me incomodou por girar sempre no universo da racionalidade,  embora o faça isso com maestria. Sempre sentia que faltava nele algo que as palavras apontam sem expressar explicitamente. E neste artigo de hoje dia 23 de dezembro de 2018, no Estadão, eu me encantei com ele. Ele reconheceu que quando sua mãe precisava de um abraço de ternura, antes de morrer, ele não soube entrar nesta sintonia com ela e foi racional, falando da vida e da finitude como algo necessário. Enfim, foi professoral como ele mesmo afirmou. E disse que se arrepende muitíssimo. Achei muito incrível como a dor de perder sua mãe o fez crescer e perceber que podemos fazer pelo outro muito mais que nossas palavras e nossa racionalidade nos permitem. E sempre podemos nos perdoar pelos erros, que iluminam novos espaços no nosso mundo interior. 


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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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