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Precisamos voltar às dores do passado?

Precisamos voltar às dores do passado?

Sabemos que no método EFT Oficial a exigência é ir atras de nossas negatividades: a) comportamentos negativos (procrastinar, agredir, não decidir, paralisias, etc);  b) emoções negativas; c) crenças negativas; d) sintomas: que são mensagens negativas do nosso corpo.

Com isso assumimos que apenas enfatizar o positivo, como muitos nos aconselham, sem entrarmos de cabeça e alma nas nossas negatividades, não nos permite ter curas consistentes e duráveis. Quando estamos saudáveis, quando estamos em paz, o otimismo e a positividade acontecem naturalmente em nós, sem precisarmos esconder a dor e a negatividade à força. Quando temos coisas que limpar das dores que acontecem pela interação com nosso meio ambiente desde que fomos concebidos, apenas declarar "positividades" se torna cansativo, inútil e desencorajador. Pode ser que até, durante um tempo, consigamos manter nossa negatividade cativa em nosso inconsciente sem se manifestar, mas hora ou outra ela vem como adoecimento físico ou mental. A negatividade fica fervendo no subterrâneo de nosso sistema e produzimos um falso self que parece arrogantemente positivo, otimista, corajoso.

Algumas pessoas nos dizem, na terapia, "não quero voltar ao passado, ficar lambendo feridas antigas aqui com você. Quero resolver meu problema atual, desbloquear o que me segura e ir para frente." E então vem a pergunta:Por que precisamos ir à nossa biografia, narrá-la ao nosso terapeuta, conectar com emoções vividas e que ainda estão vivas em algum lugar de nós?

Vivemos situações desde nossa concepção que precisam ser visitadas numa terapia para que o suporte e a ressignificação possam abrir portas para dimensões do ser poderem sair do nível potencial e se realizarem com toda sua força vital e criatividade. 

Vivemos certas experiências quando não tínhamos recursos para coloca-las sob o domínio do eu (como diz Winnicott) e elas atuam dentro de nós de modo a sentirmos agonias impensáveis (Winnicott),  porque não tínhamos como articula-las em alguma linguagem. Por exemplo, é o caso das experiências que nos causam um impacto negativo quando ainda somos  pequenos. Vou falar de algo que aconteceu comigo. Quando bebê, eu mamava no peito ainda aos 6 meses e subitamente minha mãe precisou morar com meu pai nos US e não pôde me levar. Fiquei com duas tias e duas avós que se revezavam para cuidar de mim, um pouco em cada casa. Foi bastante difícil para mim, me contam: chorava muito, não queria comer, até que, aos poucos, fui me apegando àquelas pessoas que me cuidavam, cada uma a seu modo. Eu não me lembro, lógico, do impacto traumático que foi esta separação. O bebê sabe que o cheiro da mãe significa calor, leite, amor, ternura chegando. O contato corporal com a mãe, o tato, o olhar, a voz,, o sorriso, de repente perdi tudo isso. O impacto deste trauma no sistema da criança é muito forte e eu pude reconhecer na terapia as sequelas deste sofrimento. Sofri muitos anos de melancolia, de um medo abismal de abandono que me fazia muitas vezes abandonar antes, por medo de ser abandonada. Narrando a minha história em terapia, qualificando esta dor da separação como uma fratura no meu ser, me colocando no lugar deste bebê no processo terapêutico, eu pude aos poucos ir nomeando o que devo ter sentido, que se espelha nos medos que sentia no presente. Aos poucos pude melhorar a qualidade da minha relação com as pessoas que era até então de um apego e um controle muito grande, como uma defesa deste medo abismal que se instalou precocemente em mim.

Eu desenvolvia com minha terapeuta relações de dependência grande, como uma sequela deste trauma precoce. Lembro-me que eu procurava saber onde ela iria passar as férias para tentar ir lá perto para de alguma forma estar perto dela. Era sofrido para mim este estado. Me cuidei muito para superar as sequelas deste trauma aos seis meses de idade.

Este é apenas um exemplo meu, mas há crianças sofrendo violências físicas ou morais, bullying por parte de colegas ou professores, etc e quanto mais cedo ocorrem estes eventos menos chance da criança ter recursos para pô-los sob o domínio do eu. Menos chances de ter uma linguagem para nomeá-los, compreende-los, encontrar alguém que ajude. A dor na infância fica escondida mas é muito sofrida, porque fratura o ser e não agride defesas egoicas, que ainda não existem. Sem visitar nossas dores é quase impossível pensar em liberdade para um futuro vital e criativo.

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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
Sonia Novinsky Seguir

Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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