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Quando se desiste do diálogo no casamento...

Quando se desiste do diálogo no casamento...

( Comentários Sonia Novinsky. em itálico no meio do texto)

Uma paciente me procurou porque estava com problemas no casamento.

Ao longo do processo fui percebendo como é uma pessoa fechada,  que acredita que não adianta falar e nem se expressar porque isso não vai fazer com que as pessoas mudem.

SN: Com certeza ela tem razão que o que faz as pessoas mudarem para nós é nós mudarmos para nós mesmos, pois aí mudamos para elas, e aí sim as pessoas mudam.

Em seu casamento ela não gostava de determinadas atitudes do marido mas disse que já havia se cansado de falar e que ele só faz o que ele quer.

SN: Será que alguém é diferente dele? Vejo que só reclamar não faz com que o outro mude suas atitudes.

Ele trabalhava incansavelmente todo final de semana, e nunca viajava porque tinha que trabalhar. É um exagero realmente mas pelo jeito dela eu sentia que devia ter uma dificuldade em se expressar.

SN: Acho mais provável que ele estivesse já tentando fugir do casamento, de casa e dela, dando a desculpa que precisava trabalhar. Logo, de nada adiantaria ela reclamar, só piorava a vontade dele de escapar no trabalho. Por isso ela sentia tão ineficiente suas reclamações.

Ela disse que já tinha falado com ele, mas como será que ela falou isso? Será que dizia o que sentia? Que isso incomodava profundamente ela? Perguntei e ela me disse que já tinha falado com ele poucas vezes.  

SN: Você sentiu que ela não tinha coragem e ousadia para se colocar e tentar criar um conflito a respeito da vida a dois que levam. Provável é verdade, mas eu acho que o problema é mais profundo.   

Ela sente que nunca foi amada nas relações. “eu sempre pedi ao meu ex que trocasse de carro ou que mudasse de vida, porque ele trabalhava a noite, era horrível! E ele nunca mudou. Aí me traiu, se casou com a mulher e, com ela, ele mudou de vida, trocou de carro e de trabalho. Aí eu logo penso que ele gosta mais dela do que gostava de mim”.

SN: Exatamente o que eu disse acima se confirma. Este marido atual  escapa dela e da casa porque há um problema profundo de relacionamento, como havia com o ex marido. Tanto que com a nova mulher seu ex marido era completamente diferente. Percebemos que sua cliente tem um padrão de defesa que com os dois maridos a relação chega a um impasse parecido. E a comportamentos dos maridos semelhantes.

Eu perguntei a ela será que ela não era mais insistente?

SN: Eu pergunto: será que insistir é o ponto?  Insistir sem mudar o padrão de comportamento e defesa adianta? 

Agora se separou de novo, em uma atitude explosiva, porque tem muita mágoa, está ressentida e sempre jogava tudo pra debaixo do tapete. O marido ficou surpreso porque não esperava por isso,  essa separação “do nada” e ela ficou com medo da imagem que ele vai passar para os outros de que ela é muito difícil, muito complicada.

SN: Eu acho que ela está só tentando impressiona-lo pela radicalização, que não quer efetivamente separar. Tanto que já está meio que preparando o caminho para a volta
(estou com medo da imagem...)

A falta de comunicação dá nisso.

SN: A FALTA DE COMUNICAÇÃO QUE VOCÊ CITA É UMA CONSEQUÊNCIA. 

Resolvi investigar de onde veio essa dificuldade de pedir, de reivindicar, de reclamar. Ela cresceu em uma família em que não tinha liberdade, apenas limites. Tinha que ir todo final de semana pra fazenda acompanhando os pais e então perdia os encontros das amigas, festas de aniversário e isso perdurou até o final da adolescência quando resolveu sair de casa. Pedia a mãe pra deixa-la ficar na cidade, mas nunca foi permitido. Assim ela aprendeu que não adianta pedir. Todos os pedidos dela foram negados.

SN: Será que ela aprendeu que não adianta pedir mesmo ou, o que me parece mais plausível, ela não tendo sido ouvida, percebida, atendida na infância, sua reação foi desistir de realmente amar e ser amada de forma terna. A falta de comunicação é como uma consequência deste isolamento reativo, quando o que ela mais precisa é desta amorosidade que tanto teme.

É uma mulher independente, divorciada (isso é péssimo na visão da sua família machista) e que não gosta do toque. Foi desejada pela mãe, mas não pelo pai. 

SN: Exatamente, ela se isola e sabendo que não foi desejada pelo pai, ainda há um agravante: o pai que não olha sua filha com ternura deixa um vazio muito grande na menina, um medo de ser. A mulher pode  tender a desenvolver seu elemento masculino (do fazer) e suprime ou restringe seu elemento feminino (da paciência, do acolhimento, do ser). Precisamos do equilíbrio entre estes dois elementos.

Eu fico pensando na questão central dela. Seria um desamparo? Porque os pais não aceitavam as escolhas dela, não admitiam a liberdade dela, era como um passarinho na gaiola, ela devia se sentir não acolhida nessa família. 

SN: Pelo que sei do caso, sim, faltou sustentação para sua liberdade, para sua ação, para sua confiança em si e sua reatividade foi se tornar independente mas com receio da entrega paciente e acolhedora. E aí sim vem a falta de comunicação. Vem o impasse: ela prefere se separar, agir, do que apostar no diálogo. Ela não pôde confiar na figura masculina do pai o que acontece quando este quer muito sua filha. Isso agrava seu fechamento ao diálogo. Ela precisa rever sua historia, para poder deixar fluir seu elemento feminino, sua paciência, sua confiança no diálogo, mas também sua ternura (onde o toque é fundamental no ser humano). 

 



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