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Que vergonha! fui infiel, vamos esconder?

Que vergonha! fui infiel, vamos esconder?

Um cara me procurou para fazer uma sessão. Leu um texto que postei, se identificou e me ligou. Queria fazer por Skype porque mora em outro estado. Eu já o conhecia, porque foi namorado de uma conhecida minha. Eles terminaram de repente. Não os via e não soube o que houve. E, por acaso, há poucos meses um amigo dela me relatou que ele tinha traído ela e por isso terminaram.

Na primeira sessão ele disse que queria ajuda pra superar esse término, me contou a história toda (que eu não sabia de nada) e no finalzinho da sessão revelou que tinha sido infiel. Era claro que estava com vergonha, e me disse que só eu sabia disso além dele e da ex-namorada.

E eu fiquei meio sem saber se contava pra ele que eu tinha ouvido falar disso ou não. Fiquei receosa em falar porque contar isso implicaria pra ele em descobrir que não era só ele e ela que sabiam. Talvez saber disso naquele momento o deixaria pior.

Então fico refletindo sobre o enquadre que estamos aprendendo nas supervisões com a Prof. Sônia. Eu não posso mentir para o paciente. Mas eu posso omitir? Na verdade, eu quero falar pra ele isso. Mas queria entender melhor isso. Eu tenho que falar? E devo esperar o melhor momento?  

Sonia comenta: cada situação delicada que nos desafia! Veja, ele te procurou sabendo que você é conhecida da ex namorada dele. No seu inconsciente ele está procurando alguém que conhece a ex dele para tentar de alguma forma limpar sua barra, limpar sua imagem. Não estou acreditando que ele queira de verdade fazer terapia. Posso estar enganada. Ele sabe que várias pessoas sabem, porque esse tipo de coisa sempre a vítima vai espalhar, como espalhou.  Talvez ele queira até voltar para a ex e encontrou, através de você, um caminho para tentar isso, pode ser? Eu acho que não dá para simular que você não sabe para não chocá-lo.  Você sabe. E se não for sincera você está já matando uma relação que precisa antes de tudo da sinceridade. Esta é a lei absoluta da terapia. A sinceridade em relação as coisas do paciente. Mas veja, você precisa primeiro analisar com ele as raizes desta vergonha-culpa. Ele não me parece preocupado com a traição, mas com a traição tornada pública, ou seja, preocupado com sua imagem de traidor. Isso é que gera nele culpa e vergonha. Tanto que ele enfatizou: não conte para ninguém porque só você e ela sabem!

Ele não está preocupado com seu sofrimento, está preocupado com sua imagem, ou seja seu falso self que teme que esteja mau visto se mais pessoas souberem. Não sinto o sofrimento em sua fala. Você sente? Ele quer encontrar com você justificativas e boas desculpas para que a traição tenha ocorrido e assim ele possa limpar sua imagem se muitas pessoas souberem do ocorrido. Que espera que não aconteça. 

É como se ele pensasse: se ninguém tivesse sabido que eu traíra, ok, mas agora que minha namorada sabe estou a perigo. Será que tem um jeito de eu não sentir vergonha que traí? Que se as pessoas souberem não vão me julgar?

Você pode ir esclarecendo essas dimensões para ele, para ele ver que ele não estava preocupado com a ex, que a fizera sofrer, etc, que ele está apenas preocupado consigo mesmo, com sua imagem, com sua vergonha e sua culpa de não ter escondido o suficiente a sua infidelidade. 

Ele deveria ter procurado um tintureiro para limpar as vergonhas da imagem obscurecida e não uma terapeuta (rs).

A dor da namorada ele não acessa nada. Vive num mundo mais de aparências, não te parece?  Quem sou eu? Por que precisei de buscar outra mulher? O que isso me fala de mim e da relação com minha ex? Estou sentindo que perdi algo importante? Quanto me dói ter feito ela sofrer? Como poderia ajudá-la a se recuperar? Enfim, todas as perguntas que seriam de um verdadeiro self, ele não trouxe porque não acessa nem isto que lhe importa.

Pode dizer que você sabe, que um amigo comentou, ou seja, abre a fogueira para ele sentir mesmo a vergonha perante o social, o abalo de sua imagem e ai poder trabalhar algo de verdade na transferência (vergonha de você), de como isto é parte de um falso self,  defensivo e voltado apenas para si próprio.  E aí se vê se ele quer ou não fazer terapia de verdade.


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Raissa Schiavo
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