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Raízes da solidão

Raízes da solidão

Tenho uma paciente de 30 anos que nunca teve um namorado. Ela tem amigos, mas não se abre pra eles. Aliás, ela não se abre pra ninguém. O pouco que confidencia é pra mim. Ela tem vergonha da sua história. Na relação com seus pais ela sofreu muito porque não foi criada por eles (casamento conturbadíssimo), mas por familiares. Eram muitos tios e tias que, pra piorar, davam palpite na vida dela. Criaram-na com muito amor, porém invadiram muito. A mãe sofria muito com o pai (que era alcoólatra). E nunca conseguiu se separar totalmente dele. Depois de muito sofrimento se divorciou, mas até hoje vivem perto e ela cuida dele.

Ela deve ter muito medo porque foi invadida, então como não consegue pôr limite, acaba evitando se relacionar. Tem medo de passar pelo que a mãe passou. Sempre que conhece alguém e a relação começa a se aproximar de um namoro, ela mesma se afasta. Encontra mil defeitos pra se justificar. Fica muito mal por estar só, tem medo de nunca conseguir se relacionar. E até na terapia, ela tem muito receio e não vem toda semana.   

Agora acho que vamos avançar mais depois que combinamos de ela vir toda semana. Assim, essa dificuldade em manter vínculos pode ser melhorada, né? E eu preciso cuidar das feridas  em que ele sofreu com os relacionamentos que teve?

COMENTARIO SONIA:  Raissa, querida. Esta menina nunca se sentiu com suporte, acolhimento, sustentação nos primeiros anos de vida.  Atenção sem invadir é essencial para o suporte.  Mas a falta de suporte começou muito antes dos cuidadores familiares. Os pais foram muito omissos. A mãe priorizou o pai e este o alcool. Esta a maior ferida. Ela cresceu no medo infinito. No medo não criamos vínculos onde nos entregamos. A sua paciência de estar la para ela, mas de também cobrar quando ela marca e não vem, o que tira ela da culpa pois pagando ela fica quites. Porque ela tem muita culpa, seguramente. E não podemos aumentar essa culpa. Ela mesma que, sem ter consciência, sente que veio mais para atrapalhar que ajudar o casal. Sente que foi um peso que eles não toleraram. A mãe já tinha um filho que queria cuidar, o pai. Viveu no medo, na culpa, na tristeza, na crença de que não teve e não tem um lugar. Como pode entrar numa relação amorosa com um homem se está ainda na fila esperando um lugar na familia de origem?

Precisa conversar sobre essas emoções ligadas a esse tema, para compreender o que sente e, devagarinho, sentir o que é suporte através da relação terapêutica acolhedora e atenciosa, mas com limites combinados (enquadre, claro). A meta é poder se sentir autorizada a amar e ela não se sente ainda. Sabe o que é não se sentir amada. É daqui que precisa partir. E do seu contato com o desamparo ôntico/ontológico para o qual ainda não tem forças para tolerar e colocar sob domínio do eu. Com sua ajuda isso será possível. 

Pesquise mais sobre o início da vida. Sobre a relação com a mãe, pai e cuidadores familiares. Que possa narrar e pode ir fazendo EFT para as respostas emocionais e vai ajudando ela a nomear estas emoções ou pode apenas conversar, conectando você com sua própria fonte amorosa, para ela receber esta força que tanto falta pra ela. Ajude ela a compreender porque não pôde ate agora ter um namorado com amor, assim não se sentirá mais estranha, como se sente. 

Conta como evolui. Com certeza vão progredir. Ela tenta quebrar combinações para ver se, para alem do enquadre, você a aceita. Mas se ela faltar sem avisar com a antecedência que você pede ela vai se culpabilizar também. E isso não será bom pra vocês duas. 

Bjs, Sonia 

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Raissa Schiavo
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