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Simbiose Materna

Simbiose Materna

No meu trabalho como psicóloga, tenho utilizado a técnica do EFT para complementar o processo psicoterapêutico de alguns pacientes, principalmente os que resistem às mudanças necessárias para lidar com o sofrimento psíquico em questão.

O que eu tenho observado é que os casos mais complexos e resistentes que tenho acompanhado ultimamente,  giram em torno do tema da simbiose materna. Segundo o psicanalista e pediatra Donald Winnicott , o bebê e sua mãe vivenciam uma relação simbiótica no início de sua vida, em que ambos vivenciam uma unidade que facilita a comunicação imediata das necessidades do bebê para que sua mãe as satisfaça. Porém, com o tempo é necessário que essa relação simbiótica de dependência absoluta, segundo o autor, dê lugar a uma individuação progressiva de modo a levar a uma independência relativa, e isso só ocorre quando o ambiente pai e meio social dá o suporte indispensável para que isso aconteça.

Os casos que acompanho são de pessoas em diversas faixas etárias e várias queixas, que quando aprofundadas, desembocam nesta questão com a mãe. Na maioria das vezes, o pai está completamente ausente, seja fisicamente, como em casos de separação do casal ou abandono da mãe ao descobrir a gravidez, ou até mesmo, uma ausência simbólica do pai (ou qualquer outro terceiro elemento), que existe materialmente, mas é ausente no discurso materno. É como se fosse deixado de lado pela díade mãe-filho, na qual o(a) filho(a) torna-se a razão da vida da mãe.

Tenho casos de crianças com dermatite atópica numa simbiose com a avó materna que se apossou do lugar da mãe, que tem uma simbiose com a própria mãe; casos de adolescentes com diversos sofrimentos – depressão, ideação suicida, ansiedade de diversos tipos, fobia social – que acaba em questões como “minha mãe me sufoca, mas não consigo fazer nada em relação a isso”, “me sinto culpada porque odeio minha mãe”, “minha mãe não me deixa fazer nada sozinha, até hoje escolhe as roupas que devo vestir, as coisa que devo comer”, “minha mãe é tão legal, que é a única pessoa com quem eu me sinto à vontade”, “minha mãe é minha melhor amiga”. E até mulheres de 40 e 50 anos, mães solteiras que vivem e dependem financeiramente de suas mães, ou cujas mães já morreram, mas é como se estivessem presentes e encarnadas, gerando débito e culpa. Mulheres que dizem “eu não posso ter um relacionamento afetivo porque minha mãe é solitária”, “eu não posso ter amigos e vida social porque não posso abandonar minha mãe nas noites de sábado”, “eu não posso ser feliz porque minha mãe é infeliz”.

Normalmente eu começo pela queixa da pessoa de ansiedade, tristeza, depressão, raiva, aí vou encontrando sentimentos existenciais de desamparo, necessidade de pertencimento, culpa existencial, e chego nestas questões com a mãe, porém, nesse ponto são tão arraigadas, profundas e primitivas, que me deparo com um muro intransponível. No caso dos adultos, pode-se chegar a um entendimento dessa ligação doentia com a mãe após alguns trabalhos sobre eventos de desamparo e abandono. Porém, esbarra-se numa questão assim: “é mais forte do que eu mesma, eu simplesmente não consigo me libertar da minha mãe”. No caso de crianças e adolescentes, trabalho muito com a família e com as mães , no entanto,  elas têm uma enorme dificuldade de perceber que estão causando mal aos seus filhos. Para elas é apenas amor, cuidado e proteção.

Gostaria de compartilhar essa questão do sofrimento humano e ouvir dicas e orientações que facilitem casos como esses, caso alguém já tenha se deparado com essas demandas.

Comentário Sonia: Muito pertinentes suas colocações, Selma. No início da vida não existe o bebê sem sua mãe, como não existe a mãe sem seu bebê. E sim, aos poucos, as tarefas que nossa condição humana nos colocam vão nos permitindo uma autonomia relativa que progride durante a vida. Nos tornamos aos poucos relativamente independentes mas vinculados com círculos de afeto mais amplos. Se nos estancamos e nos recusamos esta progressiva autonomização em relação aos nossos pais ou cuidadores, temos necessariamente um adoecimento. E este é o desafio clínico: como, através da relação de confiança e afeto com terapeuta, conseguir deixar ir aquele vínculo de dependência  em relação à mãe sobretudo, sem medo e sem culpa, sem também devorar a mãe e passar a agir conforme ela fazia (ou sem devorar o pai, como as vezes acontece). Não há fórmula para esta conquista clínica: é o trabalho lento e contínuo, devotado mas com enquadre claro, o trabalho de amor desinteressado do terapeuta, em oposição ao amor  materno que foi controlador e possessivo, que vai permitindo o perdão e a construção de um destino próprio e singular. O que realmente mais prende os filhos a uma mãe que não respeita o direito a autonomia dos filhos, é o cuidado com a mãe, o sentido de proteger, a ilusão de poder e posse da mãe e o medo de desampará-la, mesmo quando aparentemente a mãe ampara a filha. Em certos casos, como uma moça severamente adoecida que atendo, ela ficou dependente pelo ódio e culpa em relação a mãe, por esta ter assistido passivamente a uma relação pervertida do pai em relação a ela. O pai (mesmo sem abuso sexual) construiu uma relação com minha paciente de sedução e encantamento, mas também de posse e controle. Impedindo-a de ter a rotina juvenil de saídas e amigos. A culpa da paciente em relação a mãe é enorme pois sempre se sentiu traindo a mãe com o pai. Contarei este caso num outro artigo mas gostaria apenas de ressaltar a importância do pai  neste processo de separação da filha em relação a mãe. Ele pode ser de grande ajuda para dar um lugar correto e preciso, claro e limpo para a filha na família. O lugar de filha, que não precisa cuidar da mãe porque ele cuida e que não precisa encantar o pai depois de uma idade porque ele é encantado pela mãe. Mas são raras as famílias que conseguem viver este equilíbrio e soltar os filhos para o mundo e para seus destinos. Mas no processo terapêutico a consciência de todos esses processos, com a ajuda sobretudo do Optimal EFT, que nos permite pedir ajuda ao Terapeuta Interior enquanto ressignificamos todas estas relações familiares e os direitos singulares são devolvidos ao paciente, tem-me mostrado que há esperança mesmo para os pacientes mais estancados em lugares familiares infantilizados. É preciso ir com muita ternura com estes pacientes apegados às mães por culpa, raiva, medo da liberdade, medo de se soltar da mãe, etc. Trabalho com Optimal a partir de emoções sentidas, trabalho a partir de eventos da infância que geraram estas emoções, mas sempre de forma muito respeitosa ressignificando e buscando o perdão. Não aconselho trabalhar vários eventos e emoções juntos, mas ir aprofundando cada um deles. Se puder indicar uma bibliografia, sugiro estudar uma aula Tarefas do Percurso Humano, a venda no site www. sobornost.com.br, de um curso do prof Gilberto Safra. 

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