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Sobre medo constante da morte

Sobre medo constante da morte

Olá Sonia! 

Faz cerca de um pouco mais de um mês que estou atendendo uma pessoa com diagnóstico de depressão e ansiedade. Ela me conta que há 5 anos iniciou com sintomas de enxaqueca e que  o medo da dor era tanto que começou a ter crises de pânico, antecipando a dor. Tratou a enxaqueca porém de um ano pra cá suspendeu os remédios psiquiátricos e tem sentido que não merece ser feliz e perdido a alegria no dia-a-dia. Ela tem poucas lembranças do passado e quando as tem, não relaciona carga emocional e diz que são coisas já superadas, mas são acontecimentos fortes. Com 13 anos teve um relacionamento com um rapaz mais velho que a agredia fisicamente e moralmente, engravidou desse rapaz e foi obrigada pelos pais a realizar um aborto. Aos 18 engravida novamente, porém em um relacionamento instável, mais 8 anos engravida de um rapaz que não assume a gravidez e ela chega a passar necessidades materiais durante a gestação. Ela me conta esses episódios e diz não haver mágoas e apenas entendimento. Há 3 semanas ela tem relatado um medo de morrer que a persegue. Por exemplo ela precisou ir no Hospital por conta da enxaqueca e acredita que alguém vai injetar uma medicação errada, ela está no trânsito e imagina que algo vai acontecer. Poderia me dar uma luz de como abordar a questão da morte com ela? E também como limpar emoções do passado se há resistência em acessar as emoções? Gratidão pelo espaço. Taís 

RESPOSTA DE SONIA :

Taís, este é um caso bastante típico de repressão de todas as respostas negativas que teve em relação a eventos traumáticos, desde os 13 anos. O medo, no caso dela, me parece vir de não ter coragem de entrar em contato com todo ressentimento, raiva, tristeza, ódio talvez, que ficou dentro dela reprimido. Mas no atendimento você não pode falar destas coisas ainda. É mais para você ter a compreensão do pânico em relação à morte ligado à desconfiança que lhe venham fazer mal. A falta de conexão dela com as emoções negativas derivadas dessas experiencias traumáticas nos revela que ela está muito longe de poder ouvir algo deste tipo. No atendimento clínico é preciso, antes de tudo, seguir o cliente nas suas possibilidades e limites. Senão eles abandonam o tratamento porque se sentirão invadidos. 

Eu focaria primeiro na enxaqueca que incomoda ela tanto. Pode ensinar para ela reduzir a dor logo no inicio com o tapping analgésico, por exemplo. Isso vai já criando uma relação de confiança entre vocês. A depressão ansiosa que ela sente já é um voltar a raiva para si mesmo, se culpar a si mesmo e junto com a culpa a raiva de si mesmo. Vai apenas nomeando o que ela sente.  Quanto ao sentir que não merece a alegria deriva de se sentir de alguma forma culpada, de  ter raiva de si mesma. E se ela nega qualquer coisa, não confronte. Ela porta uma desconfiança muito grande do outro e de si mesma. Uma falta de perdão do outro e de si mesma. Eu diria que para poder chegar com ela à questão central dela vai demorar.  Ela tende a jogar as culpas para si, mas no fundo ela tem muita mágoa de não ter sido compreendida e acolhida. Precisa deixar ela falar e quando for vindo algo negativo vai fazendo o EFT, até que ela possa reconhecer quase espontaneamente eventos traumáticos da infância e da puberdade que ainda a mobilizam negativamente para poder chegar à questão central dela, que me soa como desamparo. Ela permanecerá em terapia se sentir que você é confiável, não a julga e não a invade e não intervêm com brutalidade, afirmando coisas que ela ainda não pode ouvir. Qualifique os medos dela, como o medo de uma injeção que pode dar errado, fazendo o tapping para este medo e também ela vai melhorar um pouco, mesmo que provisoriamente, mas a confiança em você vai aumentar. Não vejo um tratamento rápido nesses casos. Mas ficamos em contato. Obrigada por perguntar, assim todos aprendemos!


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ACADEMIA CLINICA
Tais Cardoso Arthur
Tais Cardoso Arthur Seguir

Conheço e pratico EFT desde o início de 2017 e venho, a cada dia mais acreditando, confiando e sentindo o quanto a limpeza da carga emocional nos traz paz e clareza pessoal

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