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Um caso de ansiedade que evolui para ânsia na garganta: como trabalhar?

Um caso de ansiedade que evolui para ânsia
na garganta: como trabalhar?

Dados do paciente: idade 37 anos, homem, mora sozinho, pais separados desde a infância (5 anos), tem um irmão mais novo.

Nesse atendimento ele veio para trabalharmos ansiedade. Um sentimento constante que o acompanhava desde a infância.

Começamos por trabalhar ansiedade no nível 9, ele relatou que a mãe sempre esquecia ou chegava atrasado para pegar ele e o irmão na escola e isso o deixava ansioso. Fizemos duas rodadas e o nível baixou para 6, surgindo nesse momento a raiva que sentia da mãe, por não priorizar os filhos e decidimos entrar numa nova rodada, agora com foco na raiva no nível 8. Quanto mais rodadas fazia o paciente lembrava de algum detalhe. 

O mais interessante é que ao aprofundarmos nos fatos da infância surgiu uma coisa que o incomodou, porém, ele não tinha ainda percebido. Na rodada da "raiva", surgiu um nó na garganta. "Agora estou sentindo vontade de vomitar", paramos.   

- Lembrou de que? 

- Lembrei do meu irmão, éramos muito próximos quando crianças, eu sempre estava ao seu lado, quando decidi morar com o meu pai. Foi muito repentino. Sai de férias para a casa do meu pai e ele ficou com minha mãe e não retornei mais, decidi ficar ao lado do meu pai, ele nunca chegava atrasado quando era o dia dele nos pegar na escola.  No dia que fui visitar meu irmão não éramos mais os mesmos. Até hoje, sinto que não deveria ter abandonado meu irmão. 

Como o paciente estava muito angustiado pela ânsia na garganta fomos trabalhando esse episódio de liberação. Começamos com o nível 9 e terminamos a sessão no nível 6.

Encerramos a sessão com o paciente sentindo alívio e sem sintomas de ansiedade.

Comentário Sonia: Gostaria que você aprofundasse mais, à medida que for compreendendo mais.  O paciente, me parece claro que tem algo que não engoliu, ficou travado na garganta. Eu criaria a hipótese, que levaria para ele, de que ficou muito culpado de ter abandonado o irmão que amava e era tão próximo. Mas esta culpa vem junto com muita raiva de (e isso que me parece que trava na garganta), que teve que abandonar seu irmão porque não suportava a negligencia da mãe. E assim a raiva se volta ao mesmo tempo contra ela, que provocou este ato que o encheu de culpa, e contra si mesmo, por não conseguir mais suportar a mãe, o que significaria não abandonar o irmão.

Quando ele manifesta a ânsia na garganta, não se trata de trabalhar a liberação diretamente, mas sim de ir atrás do que está travando, a negatividade que está ali emperrada e que precisa sair. E esta negatividade parece ser a mágoa da mãe, a raiva da mãe, a dor de ter se afastado do irmão e a raiva de si mesmo de não ter achado outra solução.  Enfim, muita  dor nele se cristaliza nesta ânsia. Ânsia para poder expressar todas estas emoções que sugiro você possa nomear para ele, aí sim, se liberar e poder se perdoar, perdoar aos poucos a mãe também. Tentar compreender os limites da mãe e os de si mesmo. Compreende?

Comentário Valiene: Sônia você havia solicitado para detalhar mais este atendimento. Agora lendo o seu comentário gostaria de esclarecer: o que estava travando a garganta do paciente era a culpa que carregava por ter abandonado o irmão, fomos trabalhando esse episódio na sessão que foi liberado após três rodadas. "Eu não sabia que tinha ficado isso preso em mim. Quando decidi morar com meu pai foi muito rápido, depois foi que percebi o quanto meu irmão tinha ficado quando ele se afastou de mim". O paciente termina a sessão sentindo-se bem. 

 

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ACADEMIA CLINICA
Valiene Oliveira
Valiene Oliveira Seguir

Psicanalista, escritora, palestrante, terapeuta, coaching educacional e familiar auxiliando na reconexão afetiva. Idealizadora do Curso Valores para Convivência

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