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Uma dica clínica: ressignificação experiencial.

Uma dica clínica: ressignificação experiencial.

Queria compartilhar com vocês como  tem dado certo para mim o trabalho de transformação de consciência, de crenças, de hábitos, de posturas e de emoções crônicas. Testei esta forma de trabalhar com vários clientes e realmente parece que funciona bem. 

Explicando: geralmente, não importa que método estamos usando, precisamos ressignificar um evento vivido pelo paciente, para que ele veja este evento de outras perspectivas e, assim, tenha um certo alívio emocional porque se conscientiza que o significado que dava para o evento não é absoluto nem único.

Geralmente quando se usa o Optimal ou mesmo uma psicoterapia verbal, é preciso ter esse cuidado para que a ressignificação não fique num nível apenas mental. Como tenho feito isso:  depois que para mim ficou clara a relação entre a questão que o paciente quer trabalhar e o evento originário desta questão, eu peço para ele fechar os olhos e respirar algumas vezes de forma consciente. Em seguida peço para se conectar com o momento em que se sentiu bem (para que ele se abra) e começo um trabalho em que, usando o tapping ou não, vou costurando os eventos biográficos com os desafios/sintomas do presente, ressignificando os significados que sua subjetividade construiu e que levaram às posturas atuais, ampliando as possibilidades, minimizando as necessidades de respostas negativas no presente.

O que constatei é que, neste estado aberto, mesmo antes de trazer de forma explicita o Terapeuta Interior, por exemplo, o paciente tem condições de viver esta ressignificação de forma experiencial, isto é, com todos seus sentidos, sua psique, sua mente, seu espírito. Em vez de ressignificar apenas de forma puramente mental. O uso do tapping pode ser útil nesta fase do trabalho: você vai fazendo o tapping e falando as frases para o paciente que pode repetir com você e você, como terapeuta, vai sentindo o quanto estas frases são verdadeiras para o paciente e como a ressignificação é uma descoberta não a nível mental, mas a nível experiencial.  Sem dúvida neste momento de grande conexão sua com o cliente, é o Terapeuta Interior que está nesta conexão e que vem ditando as frases que você precisa falar. Tanto terapeuta quanto cliente vivem profundamente a experiência do cliente. 

Vou dar um exemplo para ficar mais claro : atendi uma paciente que já conheço bem e ela me pediu para trabalhar o que ela vive como seu perfeccionismo, sua auto exigência muito pesada. Ela mesmo me disse que isso poderia ter a ver com suas enxaquecas, mas também com um sofrimento grande em várias áreas da sua vida, afetiva e profissional. Muitas vezes desiste de uma ocupação porque sente a imperfeição e não a tolera. Muita pressão interna acabava levando ela à enxaquecas graves. Pedi para ela fechar os olhos, ir para sua cena boa, respirar (meu tom de voz muda nesta hora, se tornando mais suave e delicado) e depois conectar com o incomodo da auto exigência que sentia hoje, frente à preparação de uma festa de natal, de um relatório, etc. Como ela gosta do tapping, pedi para ela ir fazendo o tapping, eu fiz também em mim e fui falando e ela repetindo. Visitamos o momento em que seu pai decidiu sair de um estado nordestino onde sua família morava ha gerações como uma forma de se afastar de alguns parentes e sua mãe se revoltara muito com isso. A paciente era ainda muito criança. E fomos construindo de forma visual e auditiva o que ela via e o que ela ouvia. Como sua mãe ficou irada por ter que se exilar em outro estado, sem família, sem raízes, sem amigos, com uma criança pequena. Como essa criança precisava cuidar de si e da mãe que deveria estar devastada, desorientada, deprimida, perdida, e a forma que encontrou foi tentando ser linda, perfeita, boazinha, sem dar trabalho, como que mostrando à mãe que, mesmo exilada, ela tinha nesta filha perfeita um amparo. E assim foi crescendo a menina com a missão de diminuir a sensação de descontinuidade catastrófica que a mãe vivera no início deste exílio forçado. A dor da perda do acolhimento familiar, da continuidade cultural e afetiva que vivia no seu estado de origem passam para a criança porque ainda muito simbiótica com a mãe. O "ser perfeita" se instala assim precocemente na criança como uma forma mágica de garantir que não haverá a temida descontinuidade que é quase o sinônimo da catástrofe. O medo de ousar mesmo que errando, falhando, de tentar uma mudança espontânea, tudo isso foi sendo construído internamente.  Tudo isso fui falando suavemente durante o tapping, nós duas de olhos fechados, deixando o Terapeuta Interior nos guiar. E fui reconstruindo significados: a mudança teve também lados bons, a escola neste novo estado era fantástica, a família progrediu, outras oportunidades surgiram, a descontinuidade durante sua vida nem sempre foi tão catastrófica quanto se previu e os acasos trouxeram várias oportunidades inesperadas, o que parece indicar que nem sempre a pressão por perfeição é tão necessária quanto sempre pensou para se precaver contra a catástrofe da descontinuidade.  E aí, a sentindo mais receptiva, fui introduzindo  o 'mais ou menos', o imperfeito, o descontínuo que pode permitir um alívio, uma vida mais suave, menos enxaquecas, e não trazer nenhum abismo hoje, como parecia óbvio que traria quando viveram o trauma do exílio. Desta forma, ressignificando, fui desconstruindo a conexão entre descontinuidade e catástrofe.

Desta forma fomos ressignificando o valor do perfeccionismo, compreendendo a função que teve e como hoje ele é mais um resíduo de uma situação traumática do passado do que uma proteção. E como a dor, quando se falha, é suportável e superável, como as que ela viveu, e abre portas, como abriu para ela recentemente quando viveu uma experiencia com um dos filhos. Neste momento paramos o tapping porque senti que ela tinha experenciado a ressignificação e fomos de forma mais explícita para o Terapeuta Interior, pedindo a ele a paz para todo organismo, a aceitação do que ela chama 'mais ou menos' como algo que não trará uma catástrofe inominável e agônica.  E fechamos esta sessão. 

Ela estava bem alegre e muito mais flexível e tolerante em relação a si mesma, com mais vontade de ousar,  de fluir no trabalho e nos afeto, sem tanto medo e pressão. E sem dúvida com mais compaixão consigo mesma e com sua mãe. 

Fica a dica para vocês de como fazer este processamento verbal, onde se ressignifica, se conecta passado e presente, se abre um futuro que faz sentido, porque nesta viagem interior todos os sentidos, a psique e a mente  e o espírito contribuem para uma experiência total de si, verdadeira e liberadora. Comentem, perguntem.

Beijo, Sonia


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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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